Orgulho: a chaga que derruba muitos médiuns

Orgulho: a chaga que derruba muitos médiuns

O orgulho é uma das principais chagas da humanidade, disso quase toda pessoa familiarizada com o espiritismo sabe. Se não sabia ainda, está sabendo agora. O orgulho é a fonte de muita coisa ruim que rola por aí afora: a inveja, a soberba; ou seja, o orgulho acaba gerando diversos elementos dele derivado.

Para o médium o problema é ainda maior, pois segundo O Livro dos Médiuns (capítulo XX, item 228), o orgulho é o principal elemento nocivo que pode destruir o processo evolutivo do médium e leva-lo à ruína.

Os espíritos malfazejos afim de desordenar o trabalho mediúnico, exploram as falhas morais do médium. E adivinha qual é a principal falha em que eles mais visam? Sim, ele mesmo, o orgulho. Os malfazejos estimulam essa brecha moral e de pouco em pouco inflam o ego do médium invigilante.

Vejamos alguns trechos da obra acima citada:

Todas as imperfeições morais são portas abertas aos Espíritos maus, mas a que eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é essa a que menos a gente se confessa a si mesmo. O orgulho tem posto a perder numerosos médiuns dotados das mais belas faculdades, que, sem ele, seriam instrumentos excelentes e muito úteis.

 Tornando-se presa de Espíritos mentirosos, suas faculdades foram primeiramente pervertidas, depois aniquiladas, e diversos se viram humilhados pelas mais amargas decepções.

E não pense que os sinais da deturpação mediúnica são bem claras no início. Não raro esses médiuns não percebem, pois ficam cegos diante de psicografias e manifestações, a primeira vista, muito bonitas, mas se olharmos com extrema atenção, nos daremos conta de “faíscas” de ignorância nessas mensagens dadas por espíritos mal intencionados. No meio desse ludibriamento, o médium torna-se “cego”, pois não admite que seu “espírito-guia” esteja errado.

Sobre esse quesito, a obra continua a nos mostrar:

O orgulho se manifesta, nos médiuns, por sinais inequívocos, para os quais é necessário chamar a atenção, porque é ele um dos elementos que mais devem despertar a desconfiança sobre a veracidade das suas comunicações. Começa por uma confiança cega na superioridade das comunicações recebidas e na infalibilidade do Espírito que as transmite. Disso resulta um certo desdém por tudo o que não procede deles, que julgam possuir o privilégio da verdade.

O prestígio dos grandes nomes com que se enfeitam os Espíritos que se dizem seus protetores os deslumbra. E como o seu amor próprio sofreria se tivessem de se confessar enganados, repelem toda espécie de conselhos e até mesmo os evitam, afastando-se dos amigos e de quem quer que lhes possam abrir os olhos. Se concordarem em ouvir essas pessoas, não dão nenhuma importância às suas advertências, porque duvidar da superioridade do Espírito que os guia seria quase uma profanação.

E alguns parágrafos mais adiante na obra, Allan Kardec nos presenteia com um conjunto de elementos que nos ajudam a identificar um médium orgulhoso:

Assim: confiança absoluta na superioridade das comunicações obtidas, desprezo pelas que não vierem por seu intermédio, consideração irrefletida pelos grandes nomes, rejeição de conselhos, repulsa a qualquer crítica, afastamento dos que podem dar opiniões desinteressadas, confiança na própria habilidade apesar da falta de experiência – são essas as características dos médiuns orgulhos.

Mas fique ligado! Não se iluda achando que, quem contribui para a falência moral do médium é só ele mesmo e os espíritos obsessores. De jeito nenhum!

Aquelas pessoas que rodeiam o médium, lhes enchem de aplausos e elogios também tem sua culpa no cartório. Por isso, vamos parar de elogiar a mediunidade dos outros. Agradeça sempre! Mas evite elogios.

Completando o que foi tido acima, a obra ainda nos reforça:

Necessário lembrar ainda que o orgulho é quase sempre excitado no médium pelos que dele se servem. Se possui faculdades um pouco além do comum, é procurado e elogiado, julgando-se indispensável e logo afetando ares de importância e desdém, quando presta o seu concurso. Já tivemos de lamentar, várias vezes, os elogios feitos a alguns médiuns, com a intenção de encorajá-los.

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Hugo Gimenez

Hugo Gimenez é o editor do blog O Estudante Espírita. Fisioterapeuta formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), começou suas primeiras leituras da Doutrina Espírita com 15 anos de idade. Hoje em dia, se interessa não só por literaturas próprias do Espiritismo, mas também por assuntos de espiritualidade em geral.
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