Assombração na estrada – Histórias desmistificadas por Zíbia Gasparetto

Assombração na estrada – Histórias desmistificadas por Zíbia Gasparetto

Assombração na estrada – Histórias desmistificadas por Zíbia Gasparetto
4.6 (91.67%) 12 votes

Quem nunca ouviu ou não se lembra de alguma história contada por nossos avós ou alguma pessoa mais velha sobre histórias de assombração na estrada, muitas vezes contadas por caminhoneiros e que se espalham.

Ao se espalhar, essas histórias acabam aumentando e ganhando um misticismo que vai muito além da conta. Acabam ganhando um aspecto tão sobrenatural, que acabam indo muito além das leis espirituais. Afinal, é como diz o ditado: “quem conta um conto aumenta um ponto”.

Mas obviamente que, se verdadeira, sem muitos exageros, fica fácil de se identificar as explicações dessas manifestações.

Na obra “Eles Continuam Entre Nós”, da autora Zíbia Gasparetto, ela conta uma dessas estórias e no final explica como e por que essas manifestações acontecem.

Para essa estória de “assombração na estrada”, a autora dá o nome de Carona Inesperada.

Aconteceu com o caminhoneiro Gesuminno, em 1973, quando ele fazia muitas viagens de São Paulo para o Rio de Janeiro. Em uma dessas viagens, à noite, rumo ao Rio, ele dirigia tranqüilo quando um carro o ultrapassou piscando o farol e fazendo um sinal para chamar sua atenção.

Com medo de que fosse um assalto, naquela época tão comum na via Dutra, ele não deu atenção e prosseguiu. No primeiro posto da Polícia Rodoviária, um policial o parou.

Solicitou seus documentos, vasculhou cuidadosamente a carga alegando que recebera uma denúncia que havia caroneiros na carroceria.

– Como, seu guarda? Não dei carona a ninguém, só parei no pedágio!

Depois de tudo vasculhado, o policial liberou o veículo e Gesuminno comentou:

– Tinha um carro que me seguia dando insistentes sinais para eu parar. Mas eu fiquei com medo de assalto e não parei. Vai ver que eles ficaram com raiva e fizeram essa denúncia.

– Fez muito bem. É perigoso parar em locais ermos. Pode seguir e boa viagem.

– Obrigado, seu guarda. Boa noite.

Gesuminno seguiu e quando passava pela cidade de Floriano, bateram insistentemente em cima da cabine do caminhão e ele ouviu alguém dizer:

– Pare aí seu moço que “nois vai descê”!

Assustado, Gesuminno acreditou ser realmente um assalto. Diminuiu a velocidade e foi para o acostamento. Ao frear o veículo, tratou de esconder a cabeça para não ser atingido por uma possível bala.

Escutou um rocejar, como se alguém estivesse descendo pela corda que amarrava a carga do caminhão, e logo em seguida ouviu a mesma voz:

– Obrigado, seu moço. Boa viagem. Vá com Deus!

Aí ele teve coragem de olhar para os lados. Mas não viu ninguém. Só percebeu que estava parado diante do cemitério de Floriano que fica nas margens da via Dutra.

Assombração na estrada — Explicações da autora:

O que será que os ocupantes do carro que seguiu Gesuminno viram para seguir o caminhão e fazer insistentes sinais para ele parar? Como ele ficou com receio de conversar com eles, não ficou sabendo o que eles haviam visto.

Mas é fora de dúvida que perceberam a presença de alguém sobre a carga, o que não é permitido. Ninguém para em viagem a não ser por extrema necessidade. Na tentativa de proteger o caminhoneiro ou mesmo a pessoa que viajava de carona, fizeram a denúncia à Polícia Rodoviária, certos de que eles resolveriam o assunto.

Porque então eles não viram ninguém? É evidente que os espíritos desencarnados desejavam dar uma prova da sua presença ao Gesuminno. Para isso, provocaram alguns fenômenos de efeitos físicos, utilizando-se de ectoplasma (substância formada por energias que algumas pessoas encarnadas têm que eles manipulam com outras e que permite aos espíritos desencarnados intervir na matéria).

Isso tornou possível que as pessoas do outro carro vissem o espírito ou os espíritos (não sabemos se era mais de um), e que o caminhoneiro e o policial não vissem nada.

Na hora de desembarcar o espírito pediu ao Gesuminno para parar. Ele ouviu a voz e o ruído dele descendo pela corda do caminhão. É claro que ele queria registrar sua presença.

Só não sabemos se ele pegou carona e pediu para o Gesuminno parar para ele poder descer apenas para que ele soubesse da sua existência ou porque, apesar de desencarnado, ainda conservava os hábitos da Terra, sem ter aprendido a volitar.

Há pessoas que morrem e ainda desconhecem que como espíritos têm outras aptidões.

Durante certo tempo após a morte, locomovem-se como quando tinham ainda o corpo de carne. Tomam condução, escondem-se da chuva e com medo de molhar-se, andam a pé, etc.

E o que será que o carona foi fazer em um cemitério àquela hora da noite? Buscar algum parente ou amigo recém-desencarnado?

Segundo contam os espíritos amigos, os cemitérios são locais muito movimentados no astral. Há os que vão buscar os parentes ou amigos recém-desencarnados que ainda não se desvencilharam por completo dos laços carnais, ajudando-os a se libertar e protegendo-os dos espíritos mais atrasados que vivem nesses locais se alimentando das energias mais densas dos corpos recém-chegados.

Sem falar dos encarnados que frequentam os cemitérios na calada da noite fazendo oferendas aos espíritos em troca de favores pessoais, alguns inconfessáveis. São pessoas que não aceitam os fatos da vida e têm a pretensão de intervir de acordo com o que elas “acham” que deveria ocorrer.

Atraem espíritos “justiceiros” e tão pretensiosos quanto elas, que lá vão aceitando as oferendas e fazendo um pacto, passando a fazer parte de suas vidas.

Claro que os resultados serão sempre dolorosos. É da lei. Quem age contra a vida tem de pagar o preço.
Não fiquei sabendo o que aconteceu com Gesuminno depois desse fato. Claro que ele nunca mais foi o mesmo.

Deve ter pensado muito e ter chegado à conclusão de que a vida continua após a morte. E que neste mundo existem muito mais coisas do que nossos olhos podem ver.

Este caso enviado por Rosa Antonietti (irmã de Gesuminno) para a autora Zíbia Gasparetto.

Fonte: trecho do texto original “Carona Inesperada”, contida na obra Eles Continuam Entre Nós. Zíbia Gasparetto. 1ª edição, 2008.

Veja mais: 

Tags adicionais: assombração na estrada, assombração em estrada, assombrações em estradas, assombrações nas estradas do brasil, assombrações na estrada, assombração estrada.

Gostou? Então COMPARTILHE!
Fechar Menu