Auto-obsessão e Espiritismo: como se tratar

Veja como o Espiritismo entende a auto-obsessão e como tratar deste problema.

Para darmos maior credibilidade para este assunto delicado (auto-obsessão e Espiritismo), colocaremos a seguir trechos da obra “Obsessão/Desobsessão”, da autora espírita Suely Caldas Schubert.

O que significa auto-obsessão e obsessão espiritual segundo o Espiritismo?

A auto-obsessão acontece quando o próprio indivíduo é o agente obsessor, que implanta em si mesmo pensamentos e atitudes negativas, derrotistas, fazendo de si mesmo e da sua mente uma prisão.

A obsessão espiritual, segundo o Espiritismo, ocorre através da ação de outros espíritos bem menos evoluídos, que podem encontrar afinidade no “hospedeiro”, causando diversos desconfortos e constrangimentos.

A obsessão espiritual continuada pode ocasionar indesejáveis sintomas físicos, levando uma pessoa a acreditar que realmente esteja sofrendo de algum desequilíbrio orgânico.

Esses sintomas físicos são os mais variados: dores pelo corpo, problemas supostamente cardíacos, alterações mentais, indisposição cansaço, um peso na cabeça… Muitas vezes um estado de torpor, um estado de sonolência aparentemente invencível, entre inúmeros outros.

Veja mais: Quais os sintomas da obsessão espiritual

Os desencarnados, eles vivem em contato estreito conosco. E nós ainda conhecemos muito pouco do mundo espiritual, mas em grande número daqueles que desencarnam vivem à nossa volta.

Como nos dizia Chico Xavier, cerca de 3/4 (três quartos) daqueles que desencarnam ficam por aqui mesmo, porque eles não têm um outro ponto de referência que não seja a vida na Terra.

São espíritos que, embora tenham deixado o corpo, ainda não conseguiram “desencarnar o pensamento”, ou seja viver a vida espiritual sem se desfazer de seus prazeres ou preocupações terrenas.

O painel atual da auto-obsessão na medicina e na espiritualidade

suely caldas sintomas da auto obsessão

Um médico espírita disse-nos certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males – para os quais não existem medicamentos eficazes – e que são tipicamente portadores da auto-obsessão.

Suely Caldas Schubert

Neste trecho, fica evidente que o mundo, hoje, está enfrentando um aumento exponencial das doenças do psiquismo. Cada vez mais pessoas estão consumindo medicamentos para acalmar as tribulações mentais.

O grande problema é que muitos desses medicamentos não tratam de forma efetiva o indivíduo, servindo apenas para mascarar o verdadeiro problema.

De forma alguma cometeríamos o crime de dizer que os medicamentos não são necessários! Afirmamos que ele é necessário, sim, desde que os pacientes estejam dispostos a encontrar meios de vencer seus bloqueios, angústias, depressões e ansiedades.

O que é importante dizer é que muitas dessas pessoas vivem para consumir os remédios e deixam de lado o enfrentamento de um problema que elas mesmas criaram, e não encontram forças para sair deste quadro.

Sim! Muitas vezes os quadros obsessivos não tem um início no exterior, ou seja, nos espíritos malfazejos ou ignorantes. O próprio paciente se põe a depreciar suas capacidades, chegando ao estágio auto-obsessivo.

O Espiritismo vem alertar sobre os riscos da auto-obsessão. Dedicamos alguns parágrafos sobre este problema.

Veja mais: Espírito fala em psicografia que se suicidou devido obsessão em estágio muito avançado

O Espiritismo explica os sintomas da auto-obsessão e o padrão das pessoas auto-obsidiadas

chico xavier sentimento de ódio

São cultivadores de moléstias fantasmas. Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia a dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar […]

[…] flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vítimas por si próprios, atormentados por si mesmos.

Suely Caldas Schubert

O trecho acima deixa bem claro o padrão da pessoa possuidora da auto-obsessão e o que ela causa na pessoa que obsidia a si mesmo.

Dessa forma, uma pessoa que se preocupa demais, que não tem um controle emocional de si mesmo, que é refém de sua própria criação mental pode desenvolver isso que chamamos de auto-obsessão, quando ela própria é o agente obsessor.

É triste pensar que existem pessoas que se tornam seus próprios algozes, maltratando a si mesmos sem a mínima necessidade. Como a própria autora diz, são criadores de “moléstias fantasmas”, mas que a longo prazo podem deixar a pessoa realmente doente.

Um dos sinais da pessoa que pode estar sofrendo com a auto-obsessão é o sofrimento por antecipação, entre outras palavras, a ansiedade. A ansiedade é muito bem abordada pelo Espiritismo e esta doutrina de luz nos mostra ferramentas poderosas para libertação.

Veja mais: O Espiritismo nos mostra como vencer a ansiedade.

Esse estado mental abre campo para os desencarnados menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se, aí sim, o desequilíbrio por obsessão.

Suely Caldas Schubert

A situação que a nobre autora descreve acima é muito sério! Se você perceber bem, o que ocorre é que um problema sério poderá gerar outro problema de intensa seriedade: é a auto-obsessão que, mais tarde, acaba gerando uma obsessão espiritual.

Para descrevermos melhor o mecanismo, entenda que o auto-obsidiado, pelo seu próprio padrão de comportamento e pensamento, acaba baixando demais a sua vibração energética. Tal condição faz com que outros espíritos que estejam vibrando na mesma sintonia acabam sendo atraídos como um imã para junto daquele que já estava maltratando a si mesmo.

Esta junção (auto-obsessão + obsessão espiritual) acaba prejudicando ainda mais a pessoa, que agora terá que se esforçar ainda mais para sair da situação que se encontra.

Mas Deus é misericordioso e dá a seus filhos ferramentas para que estas pessoas possam se ajustar, deixando esta condição infeliz.

Quando essas pessoas tem a felicidade de entrarem no centro espírita, podem realizar o tratamento espiritual, serem instruídas para sair desse padrão auto-obsessivo.

Elas aprendem a juntar recursos para saírem da sintonia dos outros obsessores e aprendem sobre o automelhoramento, também chamado de reforma íntima, que é por onde farão a prevenção para não mais cair nos mesmos estágios obsessivos.

Disto falaremos nos próximos parágrafos.

A auto-obsessão, o Espiritismo e memórias de vidas passadas

Com relação à a experiência do dia a dia, nós vemos muitas pessoas que já vêm com dificuldades de comportamento desde pequenos, ou às vezes até já nasce com esse tipo de transtorno. O que poderíamos falar sobre isso?

A psicologia vai tratar a infância como um dos geradores de problemas psicológicos. Isto por causa do do relacionamento que ela tem com seus familiares e até o processo de socialização.

Quando a criança já apresenta, desde a infância, estes transtornos e não tem nenhuma causa familiar para isso, nós vamos nos deparar com os transtornos que ela traz de existências passadas.

Então, por exemplo, a pessoa que teve determinados comportamentos em outras existências que foram prejudiciais tanto para si mesma como para outros. E os registros destas perturbações fica no seu psiquismo, que ao reencarnar ela já vai apresentar, desde a infância, estas confusões, dificuldades de se expressar, de se relacionar, de receber afeto.

E isso não acontece só com criança. O adolescentes que os familiares conhecem o comportamento dele até uma certa idade, tem um certo padrão de comportamento… um adolescente que é calmo, ele conversa com os familiares, é afetivo… e depois que passa um pouquinho da adolescência ele já havia explosivo, não conversa com ninguém, vira rebelde.

Ou ao contrário um que é muito espontâneo, extrovertido, começa a ficar calado, ensimesmado. O que a gente percebe é que nesta nesta fase o indivíduo começa a despertar a sua própria personalidade, até aquele momento e, ainda, se comportava segundo os padrões da família, o que ele aprendeu com seus familiares, os amigos e a partir daí começa a despertar, começa a vir as reminiscências, mesmo que ele não saiba, inconscientemente.

Outras vezes é consciente de algumas perturbações. Ele se vê preso a alguns pensamentos, alguns clichês mentais que não consegue dar conta. Então, neste momento, começa o indivíduo assumir a sua própria personalidade.

Quando o indivíduo tem determinadas atitudes e ele não se conscientiza dela por causa desses apelos sociais, da sua vinculação com a vida, com o passar do tempo, quando ele começa a refletir sobre a vida, quando ele ficar menos preso aos convites sociais, ele começa a ter um contato consigo mesmo.

Então, tudo aquilo que ele fez que causou prejuízo pra outrem ou para si mesmo, vai gerar um sentimento de culpa. A culpa seria a responsabilidade que o indivíduo tem por aquilo que ele fez.

E aí o subproduto da culpa é autopunição. Daí nós começamos a entrar na área dos transtornos psicológicos e psiquiátricos. Nós vemos tantas pessoas que se fustigam tanto, que se colocam tão pra baixo… uma pessoa dessa não precisaria nem ser obsediada por algum espírito, porque ela já está se obsidiando.

Ela faz mal pra si mesma porque estas culpas que ela gerou interiormente começam a gerar esta necessidade de autopunição para que ela possa se redimir.

Veja mais: Por que nossa memória é apagada quando reencarnamos?

Como tratar ou se livrar da auto-obsessão na visão Espírita?

O papel dos centros espíritas na libertação das pessoas auto-obsidiadas

A pessoa que se predispõe a entrar num centro espírita sério, que trabalhe de acordo com as ideias de Allan Kardec, pode participar do tratamento espiritual, o qual vai lhe oferecer algumas chaves para se “destravar” e começar sua caminhada em direção à cura do corpo e, principalmente, da alma.

Na medida em que a pessoa passa pelo centro espírita para receber o tratamento espiritual e para escutar atentamente as palavras do Evangelho, ela vai recebendo da equipe ensinamentos básicos para implantar no seu dia a dia.

Seja auto-obsessão ou obsessão espiritual, tem um ensinamento que foi ditado por Jesus e é extremamente válido até para os dias de hoje: Orai e vigiai.

Recordemo-nos que qualquer ideia fixa negativa que venha a nos perturbar emocionalmente, é sempre sinal de alarme, ante o qual devemos fazer valer em nossa vida o sábio ensinamento do Mestre: Estai de sobreaviso, orai e vigiai; porque não sabeis quando será o tempo.

Suely Caldas Schubert

Veja mais: Primeira vez no centro espírita? Veja o que acontece lá dentro!

A leitura edificante no processo de desobsessão e auto-desobsessão do indivíduo

É de extrema importância que a pessoa comece a ler o Evangelho, pois é lá que encontrarão os ensinamentos necessários para modificar sua moral, receberão o impulso inicial para modificar seus pensamentos e atitudes e aprender a se dignificar diante do Cristo.

Na biblioteca da casa espírita, a pessoa pode pedir o empréstimo do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (Allan Kardec), caso não tenha disponível perto ou não tenha condições para adquirir.

O Evangelho Segundo o Espiritismo é importante, pois nele existe a essência dos ensinamentos do Cristo (aqueles mesmos da Bíblia Sagrada), mas que estão em palavras simplificadas, diminuindo o peso das palavras difíceis e alegóricas dos escritos antigos.

Após o Evangelho, ou até mesmo concomitantemente, a pessoa poderá ler outros livros acessórios (como o restante dos livros de Allan Kardec e os de Chico Xavier), que poderão servir de imensa ajuda para a limpeza mental e recondicionamento dos pensamentos desequilibrados, além de apresentar para estas pessoas como é o mundo espiritual e como funcionam as suas leis, que são as Leis de Deus que muitos ainda desconhecem.

A fluidoterapia no Centro Espírita e a cura da auto-obsessão

No decorrer do tratamento espiritual, o indivíduo que sofre com as auto-obsessões e obsessões espirituais passarão pela fluidoterapia, que é a terapia através da transferência de fluidos salutares para quelas pessoas que estão saturadas de fluidos ruins.

Dessa forma, aos poucos essas pessoas vão sentindo uma melhora que só poderá ser integral se elas fizerem seu “dever de casa”, quando saírem da casa espírita.

Este “dever de casa” nada mais é do que o seu comprometimento em se desfazer dos seus maus hábitos, vícios, preconceitos, e tudo mais que é de essência negativa.

Obviamente que não será do dia para a noite, mas que gradativamente estas pessoas possam se desembaraçar dos seus antigos padrões.

Este esforço que fará em seus próprio benefício se chama “Reforma Íntima”.

E fará com que ele tome distância daqueles padrões mentais e comportamentais que serviam como base da auto-obsessão, assim como a mudança de atitudes e pensamentos poderá desfazer a conexão dessas pessoas com os espíritos menos felizes, que perderão o acesso ao “hospedeiro”, deixando-as livres.

O processo de Reforma Íntima não precisa ser um martírio

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Convém ressaltar que um minuto ou um instante de medo, revolta, impaciência etc., não significa necessariamente que a pessoa esteja obsidiada. Mas, sim, que uma ocasião destas poderá ser utilizada pelo obsessor como ensejo que ele aguarda para insuflar na vítima as suas ideias conturbadas.

Suely Caldas Schubert

O processo de desobsessão pela reforma interior não serve para que uma pessoa tente se tornar um “santo” de um dia para o outro. Antigos sentimentos e pensamentos que uma pessoa tinha ou está tentando se livrar podem ir e vir por várias vezes durante a vida, mas só depende do indivíduo se deixe dominar ou se esforce para “deixar pra lá”.

O fato da pessoa voltar a alimentar estes sentimentos e pensamentos é o que pode servir de ocasião para a instalação de novo processo obsessivo, seja de desencarnado para encarnado, ou do encarnado para com ele mesmo (auto-obsessão).

Veja mais: Como os espíritos obsessores podem usar seu próprio pensamento contra você

Como vencer o hábito da autopunição pela modificação do seu comportamento

Apesar de nós complicamos nossas vidas, nós temos uma capacidade de transformação, também, inimaginável.

Ele pode gerar harmonia interior pelas condutas novas que ele começa a adotar, por exemplo, o auto amor.

Jesus propôs que nós amássemos ao próximo como a si mesmo. O indivíduo precisa aprender a se auto amar, a se auto valorizar, a desenvolver o autorrespeito.

Existem pessoas que não têm a noção do que é respeito. Quantas pessoas costumam colocar lá para baixo, de se desmerecer e acha que é natural? Ela precisa se resgata, respeitar o seu corpo, as suas ideias, as suas emoções, a sua profissão.

Deste modo ela começa a construir uma imagem diferente de si mesma que por muito tempo esteve distorcida por coisas que aconteceram na vida e que ela foi a protagonista.

Agora, ela começa a mudar, a se valorizar, a se respeitar, a ter uma relação com a vida mais satisfatória e os relacionamentos também vão acrescentando no seu crescimento.

Veja mais: O seu hábito de reclamar está destruindo sua vida e você não está percebendo!

Fontes: Obsessão/ Desobsessão: Profilaxia E Terapêutica Espíritas (Suely Caldas Schubert);

Transcrição da explanação do orador espírita Mário Mas, no programa Transição.

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Hugo Gimenez

Hugo Gimenez é o editor do blog O Estudante Espírita. Fisioterapeuta formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), começou suas primeiras leituras da Doutrina Espírita com 15 anos de idade. Hoje em dia, se interessa não só por literaturas próprias do Espiritismo, mas também por assuntos de espiritualidade em geral.