Arquétipos – As características das pessoas regidas pelos Orixás

Arquétipos – As características das pessoas regidas pelos Orixás

Arquétipos – As características das pessoas regidas pelos Orixás
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Em um dos livros de Robson Pinheiro, a psicografia intitulada Aruanda, ditada pelo espírito de Ângelo Inácio, há um trecho onde Ângelo é instruído por espíritos afinizados com trabalhos espirituais ligados à cultura afro-brasileira acerca dos Orixás.

No trecho, o espírito de Pai João explica algumas coisas sobre a atuação dos orixás nesses cultos. Em certo ponto, Pai João identifica algumas características inerentes àquelas pessoas que, no costume de determinadas culturas, se dizem regidas por um determinado Orixá:

— Considerando alguns dos orixás mais conhecidos no Brasil, tanto na Umbanda quanto no candomblé, podemos identificar algo especial no comportamento das pessoas que nascem sob a influência ou se sintonizam com este ou aquele orixá, como força cósmica. Não abordaremos questões doutrinárias nem a narrativa mitológica que envolve os orixás, protagonistas de muitas histórias, à semelhança dos deuses gregos. Prefiro enfocar os orixás sob o ponto de vista psicológico, arquetípico.

— Por exemplo: o arquétipo de Ogum é o das pessoas enérgicas, às vezes briguentas e impulsivas. Perseguem seus objetivos sem se desencorajar facilmente; nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Os filhos de Ogum, como se costuma dizer, são indivíduos de humor mutável e transitam com naturalidade de furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos. Finalmente, Ogum é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, que tendem a melindrar os outros por uma certa falta de discrição, quando alguém lhes presta serviços. Francos e sinceros ao extremo, não pensam duas vezes antes de se expressar, mesmo sob o risco de ofenderem as pessoas com as quais se relacionam, devido à sua extrema franqueza.

Neste ponto, pareciam-me infinitas as possibilidades de interpretação do conhecimento dos orixás, tamanha a complexidade da cultura ligada a eles.

— Examinemos Oxóssi — prosseguiu Pai João. — Irmão de Ogum, na mitologia, o arquétipo de Oxóssi é bem diverso. Representa as pessoas espertas, rápidas, donas de notável agilidade, sempre em alerta e em movimento. Cheias de iniciativa, estão sempre em busca de novas descobertas e novas atividades, mas possuem grande senso de responsabilidade e de cuidado com a família.

— Podemos citar também o tipo psicológico Xangô. O arquétipo desse orixá é o das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância, real ou suposta. Podem ser grandes cavalheiros, senhores corteses, mas não toleram a menor contrariedade e, nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Por isso Xangô é associado ao trovão. Os filhos de Xangô em geral possuem um senso de justiça muito apurado.

Após alguns instantes para que pudesse fazer minhas anotações, o preto-velho continuou:

— Outro tipo psicológico digno de estudo por parte dos psicólogos é Iansã, cujo comportamento já foi tema de filmes e músicas de nossos irmãos encarnados. O arquétipo de Iansã é o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias. Indivíduos que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestações da mais extrema cólera. São mulheres de temperamento sensual e voluptuoso, que pode levá-las a múltiplas e frequentes aventuras amorosas extraconjugais, sem reserva nem decência, fato que não as impede de continuar muito ciumentas com seus maridos, por elas mesmas enganados.

— Por outro lado, Oxum, orixá do amor, tem comportamento emocional e social, tanto quanto tipo físico bem distintos. O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. É o tipo das mulheres que são símbolos de charme e beleza, também voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas e refinadas que as do tipo psicológico Iansã.

— Um orixá muito conhecido pelo Brasil afora é Iemanjá, representativo da polaridade feminina por excelência. As filhas de Iemanjá costumam ser voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes. Fazem-se respeitar e são justas, mas bastante formais. Têm o hábito de por à prova as amizades que lhe são devotadas, mas preocupam-se muito com os outros; são sérias e maternais.

— Existe outro orixá cultuado no candomblé que também é muito conhecido. Falo de Omulu, que, no sincretismo, corresponde a São Lázaro. O arquétipo de Omulu é o das pessoas com tendências masoquistas, que gostam de exibir seus sofrimentos e tristezas, dos quais tiram uma satisfação íntima, um tanto mórbida. Podem atingir situações materiais invejáveis e rejeitar, um belo dia, todas essas vantagens, alegando certos escrúpulos, imaginários. Vivem a sofrer por problemas que jamais ocorrerão.

— Oxalá, sincretizado e representado pela figura de Jesus, é um orixá que merece ser pesquisado em suas manifestações psicológicas. O arquétipo de Oxalá é o das pessoas calmas e dignas de confiança, respeitáveis e reservadas, dotadas de força de vontade inquebrantável, que nada pode abalar. Modificam seus planos e projetos para não ferir suscetibilidades alheias, a despeito das convicções pessoais e dos argumentos racionais. Todavia, sabem aceitar, sem reclamar, os resultados amargos muitas vezes daí decorrentes.

Veja mais:

Fonte:  Aruanda. Robson Pinheiro, ditado pelo espírito de Ângelo Inácio. Casa dos Espíritos Editora, 2004.

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