Dinheiro e Espiritualidade – O dinheiro é sujo? Deus gosta de pessoas ricas?

Dinheiro e Espiritualidade – O dinheiro é sujo? Deus gosta de pessoas ricas?

Dinheiro e Espiritualidade – O dinheiro é sujo? Deus gosta de pessoas ricas?
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As religiões nos fizeram crer, desde a nossa infância, que o dinheiro é algo sujo, que Deus não gosta de pessoas ricas, que a riqueza é a porta para o inferno e que é mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no reino dos céus.

Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus (Lucas 18:24-25).

Será que se não houvesse o dinheiro no mundo estaríamos vivendo melhor? Será que o dinheiro é o que leva as pessoas à ruína espiritual?

Tudo isso não passa de crenças limitantes! A Bíblia, quando fala do camelo, do fundo da agulha e do reino de Deus, tal trecho não serve para ser lido de forma literal, como muitas pessoas fazem, mas existiria um sentido mais profundo nessas palavras.

Certamente o dinheiro nos traz avanços tecnológicos, científicos, e resolvem alguns de nossos problemas. Obviamente não resolve tudo, mas traz uma boa parcela do progresso global.

O dinheiro não é o mal, mas sim o seu mal uso, sua má administração que o faz tornar-se algo venenoso. Teria Deus colocado na mãos de alguns a riqueza para que pudesse os condenar logo de cara? Que justiça divina seria esta?

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deixa claro, no capítulo XVI – Servir a Deus ou a Mamom; no item 7 onde discorre sobre A Utilidade Providencial da Fortuna:

Se a riqueza tivesse de ser um obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, como se poderia inferir de certas expressões de Jesus, interpretadas segundo a letra e não  segundo o espírito? Deus, que a distribui, teria posto nas mãos de alguns um instrumento fatal de perdição, o que repugna à razão.

Quando Jesus disse ao moço que interrogava sobre os meios de atingir a vida eterna: “Desfaze-te de todos os bens, e segue-me”, não pretendia estabelecer como princípio absoluto que cada um devia despojar-se do que possui, e que a salvação só se consegue a esse preço, mas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. 

Ele podia, sem dúvida, ser um padrão de homem honesto, segundo o mundo, não prejudicar a ninguém, não maldizer o próximo, não ser frívolo, nem orgulhoso, honrar ao pai e a mãe. Mas não tinha a verdadeira caridade, pois a sua virtude não chegava até à abnegação. Eis o que Jesus quis demonstrar. Era uma aplicação do princípio: Fora da caridade não há salvação.

A riqueza, portanto, sendo o primeiro meio de execução, sem ela não haveria grandes trabalhos, nem atividade, nem estímulo, nem pesquisas: com razão, pois, é considerada elemento de progresso.

Dessa forma, os ensinamentos do Evangelho não dão conclusão que o dinheiro é algo pernicioso, porém alerta o seu uso de forma inconsistente com a caridade:

 Se a riqueza é a fonte de muitos males, se excita tantas más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos ater-nos, mas o homem que dela abusa, como abusa de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que poderia ser-lhe mais útil, o que é uma conseqüência do estado de inferioridade do mundo terreno. Se a riqueza só tivesse de produzir o mal, Deus não a teria posto na Terra. Cabe ao homem transformá-la em fonte do bem.

Mas quem abre a Bíblia acaba se deparando com o famoso trecho que já citamos acima e fazemos questão de citá-lo novamente:

Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus (Lucas 18:24-25).

Fonte da imagem: catedraldapaz.org

Veja mais:

O que significa dizer aqui não é que um camelo passará pelo fundo de uma agulha de costura. O “fundo de agulha”, nesse caso, se refere a uma tipo de porta que havia nas muralhas das cidades antigas, que ficavam ao lado da porta principal, muitas vezes eram apenas frestas.

Para que um camelo passasse por ela, deveria ser retirado toda a carga de suas costas e lhe empurrar contra a estreita passagem de modo que também deveria estar de joelhos para facilitar mais ainda a passagem.

Desse modo, Jesus parecia se referir a postura pela qual o camelo deveria estar para que conseguisse atravessar, devendo estar de joelhos e sem carga nas costas. Portanto, Jesus ensinava o desapego.

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