O divórcio segundo o Espiritismo

O divórcio segundo o Espiritismo

O divórcio segundo o Espiritismo
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Divórcio e Espiritismo — Interpretações insuficientes

O divórcio, segundo o Espiritismo é permitido por Deus? Deus condena o divórcio? O Espiritismo vai contra a Bíblia, quando Jesus afirma que não é permitida a separação? Responderemos isso adiante.

Jesus disse: “Não separe, pois, o homem o que Deus juntou. (….) Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério.

Pessoas em muitos lugares do mundo permanecem numa relação já há muito tempo fracassada, pois sabem o peso que tem essa fala de Jesus. O resultado é o medo do divórcio. Porém falta para essas pessoas um julgamento mais apurado sobre esta citação.

Primeiramente, precisamos entender a visão espírita dos laços matrimoniais para que assim entendamos o divórcio na visão espírita.

O divórcio, segundo o Espiritismo e o casamento perante as leis de Deus e dos homens

espiritismo divorcio 2

De acordo com o O Evangelho Segundo o Espiritismo, “imutável só há o que vem de Deus. Tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudança. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países. As leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da inteligência.”

“No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos, para que se opere a substituição dos seres que morrem; mas, as condições que regulam essa união são de tal modo humanas, que não há, no mundo inteiro, nem mesmo na cristandade, dois países onde elas sejam absolutamente idênticas, e nenhum onde não hajam, com o tempo, sofrido mudanças”.

“(…) Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir”.

“Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida”.

Aqui O Evangelho Segundo o Espiritismo nos orienta de que deve-se haver uma separação conjugal entre o que é uma união segundo a lei dos homens e Lei de Deus. O casamento formal, como conhecemos hoje, tanto na forma religiosa quanto no cartório, são de origens humana.

Mesmo o casamento na forma religiosa não garante a legitimidade perante a Lei de Deus. Isso mesmo! A Lei de Deus é uma só. É a lei de amor. Segundo o Espiritismo, para que um casal tenha um casamento legítimo, deve haver amor legítimo. Nenhum sacerdote teria tal poder de legitimar isso em nome de Deus.

Padrinhos, damas de honra, cerimônias… Nada disso garante que nessa união há amor legítimo. Sem amor legítimo, como poderá Deus legitimar essa união?

Espiritismo e separação conjugal — A Lei de Deus e a lei dos homens

espiritismo separação conjugal 2

Dessa forma, segundo o Evangelho Segundo o Espiritismo, “nem a lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do amor, se esta não preside à união. A consequência disso é que as uniões realizadas à força freqüentemente desfazem-se por si mesmas, e que o juramento feito ao pé do altar torna-se um perjúrio, se pronunciado como fórmula banal”.

“Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor. Ao dizer Deus: “Não sereis senão uma só carne”, e quando Jesus disse: “Não separeis o que Deus uniu”, essas palavras se devem entender com referência à união segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.”

Divórcio segundo o Espiritismo — Deus permite ou não?

divorcio no espiritismo 2

O Espiritismo não enxerga com maus olhares separação conjugal. Por que haveria, a visão espírita, de sustentar a opinião de que uma união matrimonial, que já não é mais um casamento aos olhos de Deus, fadada ao fracasso?

É evidente que as leis dos homens são necessárias para a nossa vida em sociedade e normatização social como um todo, afim de que não vivamos como selvagens, sendo assim, o matrimônio formal ainda se faz necessário. Mas é importante que aprendamos a separar a Lei de Deus e a nossa lei terrena.

De acordo com o O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“Um dia perguntar-se-á o que é mais humano, mais caridoso, mais moral: se encadear um ao outro dois seres que não podem viver juntos, se restituir-lhes a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número de uniões irregulares”.

O divórcio não é condenável por Deus, na compreensão espírita, pois o divórcio só formaliza aquilo que já estava separado há muito tempo. Seja lá o que havia unido aquele casal: atração sexual, simpatia, paixão; acabou!

O que Deus não quer é o fim do AMOR! Não seria melhor terminar logo uma união física, antes que o amor legítimo acabe? Porque o amor legítimo não prioriza que as pessoas estejam juntas! O amor legítimo é puro e simplesmente um laço espiritual, jamais físico.

O divórcio segundo o Espiritismo e segundo a Bíblia

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Quem ainda não entende bem as respostas do Espiritismo ou quem ainda não leu o O Evangelho Segundo o Espiritismo com certo cuidado, tente a pensar que a Doutrina Espírita vai contra as ideias bíblicas. Mas isso não é certo. O Espiritismo apenas toma cuidado em interpretar as passagens de acordo com o peso histórico daquelas civilizações, a complexidade das parábolas de Jesus e outros importantes fatores.

De acordo com o O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina.

“Se fosse contrário a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei de amor.”

“(…) nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres”? (MATEUS, 19:3 a 9). Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária”.

“Acrescenta, porém: “no princípio, não foi assim”, isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.”

Veja mais:

Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XXII.

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