Dois Espíritos que fizeram R. Pinheiro ser expulso da Igreja Evangélica

Dois Espíritos que fizeram R. Pinheiro ser expulso da Igreja Evangélica

Dois Espíritos que fizeram R. Pinheiro ser expulso da Igreja Evangélica
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É uma história bem engraçada contada em um dos livros de Robson Pinheiro, especificamente no seu livro Os Espíritos em Minha Vida, publicado em 2008, onde conta a história dos principais guias espirituais que fizeram parte da caminhada do autor.

Uma história em particular, que é bem engraçada, conta como foi literalmente EXPULSO da igreja, onde pretendia se tornar pastor, tudo por “culpa” dos seus guias, que não queriam que ele saísse do caminho ao qual estava destinado:


Foi a partir dos meus 9 anos, aproximadamente, que comecei a perceber dois espíritos próximos. Via dois espíritos em forma adulta. Um deles apresentava-se com um traje desconhecido para mim. Parecia um oriental, portando um turbante. em tons de azul-claro, com uma pedra encravada no centro, verde-esmeralda. Eu não fazia idéia do que fosse turbante, é óbvio, fato que dava àquilo tudo um aspecto pitoresco, para dizer o mínimo. Ele sempre se mostrava – ou eu o percebia – com uma roupa bem clara, repleta de detalhes bordados. Tinha expressão bastante séria, completada pela barba e pelo cavanhaque muito bem feito. Olhar penetrante, olhos escuros, era Alex Zarthú, nome que fui descobrir bem mais tarde.

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Foto de Robson Pinheiro

O outro espírito se vestia na maior parte das vezes como médico, era alto e muito magro. Ocasionalmente trajava camisa e calça com suspensório. Até meus 17 anos, esses dois espíritos não conversavam comigo. Tampouco percebia o pensamento deles; não dirigiam palavra a mim. Porém, me acompanhavam nos momentos mais difíceis: nessas horas, via sua figura e sentia sua presença, mas não ouvia sequer uma palavra, jamais. Os dois representavam para mim, apesar de todo o seu silêncio, a figura paterna, a autoridade, como se ambos fossem meus pais. Em toda a minha infância e juventude, a pessoa do meu pai carnal foi uma presença apenas simbólica.

Esses pensamentos, as emoções e lembranças que despertam, tudo me remete ao ano de 1979, na cidade de Governador Valadares. Era uma tarde de sábado. Eu deveria realizar uma pregação na igreja da qual participava,
quando o espírito de aparência oriental resolve aparecer. Ele e o outro amigo espiritual, ao qual viria a dever os melhores momentos de minha vida: Joseph Gleber, o tal médico às vezes de suspensório.

– Pastor, o demônio está aqui – anunciei, entre constrangido e aflito.
– Mas não é possível – asseverou o Pastor Benedito.
– Você é batizado e lavado no sangue de Jesus! Canta, coral!

Eu lá, parado, esperando o coral cantar. À minha frente, o colegiado de pastores aguardava o momento em que me dirigiria àquela assembléia, o que decidiria para sempre o meu destino. Assim eu pensava, assim eu esperava. Queria, com todas as forças de minha alma, ser um ministro de Deus. Aquele era o dia do teste, da pregação da palavra de Deus. Escolhido um versículo aleatório, sem aviso prévio, deveria eu discorrer sobre exegese e hermenêutica bíblicas durante duas horas.

Era o exame de praxe para ser admitido no colégio de pastores da igreja, localizado no estado do Espírito Santo. Como já tinha feito todos os cursos extracurriculares disponíveis, restava-me apenas a matrícula numa espécie de curso técnico de teologia, equivalente ao atual ensino médio. Sairia dali como aspirante a pastor, mais” um ministro consagrado ao Altíssimo, conforme era esperado por todos.

Creio que minha mãe nunca rezou tanto como naquele dia. Sabia que aquele não era o meu caminho. As mães são sempre mães. Quando eu lhe disse que seria um pastor – minha mãe não era evangélica -, ela me disse que aguardasse o tempo, pois ele era mais sábio do que eu. Eram palavras enigmáticas, que escondiam a sabedoria de uma mulher simples.

O silencioso Zarthú aparece para mim minutos antes de eu começar a pregação.

Como é o demônio, meu filho? – indagou o Pastor Benedito.
Ah! Pastor… Ele tem um monte de pano amarrado na cabeça – respondi, completamente ignorante em matéria de indumentária oriental.
É pra esconder o chifre!… Canta, coral!

Zarthú veio de mansinho, e, com o olhar penetrante, senti que me rasgava o interior (…) Minha respiração ofegante denunciava a emoção daquele momento que eu jamais esqueceria. A presença de Zarthú tinha algo de diferente de todas as outras vezes que o havia visto. Eu não sabia definir o que era, diante da força moral que o espírito deixava transparecer.

Pensei que iria morrer ali mesmo. O Pastor Benedito segurava minha mão, úmida de suor. Eu tremia e, para o pastor, mantinha o olhar fixo no nada. Mirava alguém que ele não podia ver.

– Tem outro demônio, pastor. 0 outro tem uma máscara que tampa sua boca… – descrevia o apetrecho médico, habitual do então desconhecido Joseph.
– É para esconder as presas! Viu como o diabo se disfarça? – e, virando-se, incentivava a comunidade, que já começava a ficar impaciente.

– Hoje nós vamos falar através de você! – nunca esquecerei as primeiras palavras que Zarthú me dirigiu nesta encarnação.

Zarthú falou. Ouvi sua voz pela primeira vez nesta existência. Até então ele nunca me falara.

– Pastor! O diabo disse que vai falar através de mim! – estava apavorado.

Como costumo brincar, espírito superior também tem limite para a paciência. Alguns minutos naquele embate dos demônios com o coral e o espírito do turbante repete, em tom de ultimato:

– Vamos falar através de você!

Tomado de fé, com toda a força de minha alma,
rebato veemente:

– Em nome de Jesus você não fala!!! – senti como se algo quebrasse dentro de mim. A impressão era a de uma casca de ovo se quebrando dentro de minha cabeça.

– Em nome de Jesus eu já estou falando. Olhe para trás.

Não pude acreditar, tamanho o pânico de que fui tomado ao ver a cena que se descortinou diante de mim. Ao virar-me, vi meu corpo no púlpito, expressando- me numa voz que não era minha, com um sotaque estranho, palavras que saíam da minha boca sem que eu as dissesse, tampouco determinasse. Presumo hoje ter sido Joseph Gleber, o outro espírito, a se dirigir à população ali reunida.

Foram apenas segundos ou frações de segundo até que fosse tomado pela inconsciência.

Não me lembro de mais nada até voltar do transe, quando li, rabiscado a giz no chão do púlpito:

– Termina aqui, hoje, seu estágio nesta religião.

Naquela tarde de sábado, porém, meu destino não poderia ser outro: expulsão. Havia sido possuído pelo “demônio” (que na verdade era um dos seus companheiros espirituais) em plena casa de Deus! Choroso, angustiado, fui-me embora para casa, para o colo de minha mãe, como era o desejo daquele jovem de 17 anos que tivera todos os seus sonhos e esperanças frustrados.

Embora a decepção, que para mim era o fim do mundo, minha mãe me recebe na porta:

– Sabia que lá não era seu lugar!

– Ah, meu filho… Lá não é seu lugar. Eu sabia desde o início que você tinha outro trabalho a fazer.


Há histórias tão legais quanto essa, que você encontrará no livro. Recomendo demais a leitura dele. Vou deixar um link abaixo para quem quiser adquirir:

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