Espiritismo e a guerra na Síria

Espiritismo e a guerra na Síria

Espiritismo e a guerra na Síria
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O que a guerra na Síria tem em comum com as outras guerras no mundo?

É impossível não ficar perplexo com o que está ocorrendo na Síria. Milhares de pessoas morrendo todos os dias através não só dos tiros, mas também da desnutrição, fome e sede; elementos estes que a guerra proporciona.

Mas antes de falarmos sobre espiritismo e as guerras, precisamos ampliar nossa visão e entender o assunto de forma um pouco mais generalista.

Você já parou para pensar o que é que faz o homem sentir atração pela guerra e se deixar levar pelos seus instintos violentos? Para discursar sobre essa tendência humana, podemos recorrer à obra O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, em sua questão 742:

  1. Que é o que impele o homem à guerra?

“Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem: o do mais forte.

Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos freqüente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas. E, quando se torna necessária, sabe fazê-la com humanidade.”

Espiritismo e a guerra na Síria — Do início do conflito e o que a obra de Kardec pode nos ensinar sobre as guerras segundo o Espiritismo

espiritismo guerras 2

A guerra na Síria começou em janeiro de 2011, e o seu início, antes de virar uma guerra, teve um motivo salutar, pois envolvia uma insatisfação popular, que se traduziu em forma de protestos contra o governo. O problema é que de forma muito rápida esses protestos começaram a virar intensos conflitos.

Logo vieram as rebeliões armadas e o atual líder da Síria, Hafez al-Assad, começou a combater as rebeliões a todo gás. Como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, os civis são aqueles mais atingidos pela guerra instaurada.

Como se não fosse o bastante, o Estado Islâmico aproveitou a fragilidade instaurada no país para também erguer suas armas e lutar por seus interesses, que podem se traduzir em conquista de território. No geral, a Síria vive uma guerra dentro de outra guerra.

Voltando ao ponto de vista do Espiritismo e a guerra na síria, ou melhor, não somente lá, mas no mundo; podemos citar a questão 743 de O Livro dos Espíritos para solucionar mais algumas dúvidas sobre as guerras:

  1. Da face da Terra, algum dia, a guerra desaparecerá?

“Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Nessa época, todos os povos serão irmãos.”

Parece estranho, parece loucura; mas no O Livro dos Espíritos a questão 744 nos deixa a entender que a Providência Divina permite que as guerras ocorram, com uma intenção específica:

  1. Que objetivou a Providência, tornando necessária a guerra?

“A liberdade e o progresso.”

  1. a) – Se a guerra deve ter por efeito o advento da liberdade, como pode freqüentemente ter por objetivo e resultado a subjugação?

“Subjugação temporária, para pressionar os povos, a fim de fazê-los progredir mais depressa.”

Eu sei que ficou confuso para você entender. Mas o Espírito Miramez explica melhor:

Desde quando não pode o homem evitar as guerras, elas são transformadas em instrumentos de liberdade e progresso, porque a lei nos fala muito claramente que nada se perde, tudo se transforma no melhor.

(…) Quando os seres humanos não obedecem às advertências espirituais para a educação pelo amor, a disciplina vem por processos rudes. As guerras, nesses casos, são instrumentos violentos para acordar as almas endurecidas. O Espírito não deve dormir no que se refere à reforma interna, para não cair nas armadilhas das trevas.

Quem ainda faz guerras exteriormente, permanece sob o jugo da ignorância. As nações que se encontram esfaceladas em guerras exteriores, não se lembram de Deus, nem reconhecem Jesus como Guia da humanidade.

Muitas delas se entregam ao culto exterior das formas ilusórias e, por vezes, são capazes de dar a vida física em troca de simples forma material, como sendo heróis das ilusões passageiras.

Para encerrarmos as citações de O Livro dos Espíritos, podemos ver a questão 745:

  1. Que se deve pensar daquele que suscita a guerra para proveito seu?

“Grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.”

Traduzindo em miúdos, é como diz aquela célebre frase: “O mal há de vir, mas ai daquele que fizer vir o mal!”

Os conflitos, os sofrimentos e as fugas coletivas

Haroldo Dutra acabou discursando um pouco sobre a situação das pessoas que se refugiam e fogem da Síria, na tentativa de se livrar do caos instalado lá:

Haroldo Dutra — (…) Nós podemos fazer uma avaliação porque nós costumamos nos esquecer de diversos movimentos trágicos da humanidade. Eu vou dar um exemplo.

Ao ler o livro Paulo e Estevão, tem um momento em que Paulo está em Roma, e bairros de judeus, mas que cristãos e judeus convertidos ao cristianismo moravam, foram denunciados pelos próprios judeus às autoridades romanas.

E homens mulheres e crianças foram surpreendidos no meio da noite, presos e levados ao sacrifício esse tipo de fenômeno de perseguição religiosa ocorreu, por exemplo, em Alexandria.

Então, nós espíritos que habitamos a terra, já passamos por diversos movimentos de intolerância política, religiosa e intolerância sexual; vários tipos de intolerância e, muitas vezes, ocupando a posição de agressores de intolerantes.

Agora, é natural que no momento atual aqueles espíritos mais comprometidos, mas que já se encontram em condições psíquicas de enfrentarem essas mazelas, optem, peçam ou sejam levados compulsoriamente a locais em que há maior probabilidade de isso ocorrer, como na Síria, o Haiti e outras regiões.

(…) Porque a gente imagina que os benfeitores ficam conduzindo as pessoas “vem cá meu filho agora vou te conduzir para desencarnados, para você resgatar…”, imagina que tarefa difícil! — ironiza, Haroldo.

Não é assim! — continua a explicação — é um processo de atração magnética a registros em nós que geram uma espécie de magnetismo da nossa personalidade, que nos atrai para circunstâncias que nos levaram é depurar esses registros, daí essas criaturas se reúnem, às vezes de forma inconsciente em ambientes onde há uma probabilidade enorme porque lá estão reunidos milhares de criaturas com as mesmas tendências.

Mas sempre lembrando que tudo isso faz parte de um quadro, também, de experiências, porque ao optar pelo mal… e o criador, em respeito ao nosso livre arbítrio nos dá esse direito, é preciso experimentar todos os seus sabores!

Quando Kardec fala do Código Penal da Vida Futura, que é arrependimento, expiação e reparação… pois se eu já me arrependi, mas eu vou reparar, por que expiar?

Então, eu fui meditando e entendendo, que a expiação é quando Deus te troca de lado! Porque é uma coisa você está na posição de quem agride; outra coisa você tá na posição de quem foi agredido.

Essa inversão de papéis provoca uma profunda transformação no nosso psiquismo, porque a gente passa valorar de modo diferente certas condutas.

Como nossa avó não dizia, “pimenta no olho do outro não arde”. Então, quando a providência divina nos coloca numa outra posição aí nós reconfiguramos nosso sentido psicológico da vida; se estabelece uma nova pauta de valores.

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