Médiuns mal intencionados — Um relato de Ângelo Inácio

Médiuns mal intencionados — Um relato de Ângelo Inácio

Médiuns mal intencionados — Um relato de Ângelo Inácio
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Cada pessoa tem o seu livre-arbítrio. Na vida, vamos ganhando experiências e desenvolvendo nossas capacidades e temos a oportunidade de exercê-las de acordo com o nosso livre-arbítrio.

Podemos, aqui na terra, seguir carreiras profissionais, como médicos, enfermeiros, professores, juízes. Cada uma destas profissões podem ser usadas para o bem ou para o mal.

Um simples objeto que podemos tomar em nossas mãos pode, se assim quisermos, tornar-se uma arma mortal. Tomemos o exemplo de uma simples caneta, que podemos usa-la para escrever um belo poema, mas que em mãos erradas podem assinar um documento, que no futuro venha a destruir a vida social ou financeira de uma pessoa, ou quem sabe até perfurar a pele da vítima com sua extremidade pontiaguda.

Quando falamos sobre mediunidade não é diferente. É uma capacidade inata do ser humano que pode ser usada de diversas formas, só depende da consciência daquele que a carrega.

Para exemplificarmos de forma mais lúdica, usaremos um dos livros de Robson Pinheiro, mais especificamente um trecho do livro Aruanda, ditado pelo espírito de Ângelo Inácio:

(…) eu observava o que ocorria ao redor. Espíritos dementados, desequilibrados e que apresentavam visível sofrimento estavam deitados por todo lado. O ambiente parecia-se muito com um hospital da Terra. Era como uma enfermaria de proporções gigantescas. Foi o pai-velho amigo quem adiantou-se:

— Aqui se encontram alojados muitos espíritos que se especializaram na magia negra. Resgatados das regiões  infelizes, foram para cá transferidos a fim de receber tratamento emergencial. Estagiaram por tanto tempo nas vibrações grosseiras e perniciosas que suas mentes afetaram-se seriamente, comprometendo seu presente estágio evolutivo.

— Você falou magia negra?

— Exato, Ângelo. Ou você ignora que todos utilizamos dos recursos da natureza, colocados à nossa disposição pela divina sabedoria, de acordo com a ética que nos é peculiar? À manipulação desses recursos mentais, fluídicos, verbais ou energéticos é que denominamos magia. E, quando alguém se utiliza de maneira desequilibrada ou maldosa do depositário de forças sublimes, dizemos então que se concretiza a magia negra. São companheiros que se especializaram no mal, pelo mal.

— Eu pensei que, ao utilizar a expressão magia negra, você se referia a outra coisa mais perigosa.

— E o que há de mais perigoso que transformar o sagrado objetivo da vida, tentando prejudicar o próximo?

medium que não usa seu dom para o bem

Aproximei-me de um espírito que se contorcia todo, em cima da cama, sem oferecer maiores recursos para ser auxiliado. De sua boca escorria um líquido ou gosma esverdeada, e ele demonstrava ser vítima de intenso pesadelo. Intensifiquei minha concentração sobre o companheiro infeliz e, aos poucos, pude penetrar em seu campo mental. A entidade estava demente. Parecia enlouquecida.

Desfilavam em sua memória espiritual cenas aterradoras, como se acometido de profunda tortura mental, provocada por um sentimento de culpa sem limites.

Observei que, na cena gravada em sua intimidade, destacava-se um homem de aspecto estranho, entre soturno e macabro, vestido com roupas de maior destaque que as outras, com referências claramente ritualísticas. No ritual um tanto assustador que eu presenciava, vi que o homem sacrificava um inocente animal, que não pude distinguir direito.

Senti que alguém tocou-me de leve e, então, desliguei-me daquela cena mental, sem compreender inteiramente o que se passava. Catarina, então, explicou-me:

— Este companheiro está preso ao passado culposo e não consegue liberar-se do remorso pelos males que causou. (…) Foi-lhe permitida a condução de uma comunidade, que ele deveria levar ao esclarecimento espiritual. Médium de extensas possibilidades e faculdades notáveis, desviou-se desde cedo do propósito traçado pelo Alto e ligou-se propositalmente a entidades sombrias.

Ao desencarnar, vítima do câncer no fígado e da cegueira, nosso irmão caiu nas mãos perversas de seus antigos comparsas. Os espíritos vândalos exigiram a satisfação de seus apetites desmedidos. (…) Não obstante seus apelos, foi escravizado pelos tais espíritos durante cerca de 30 anos, até que se lhe esgotaram por completo as forças da alma.

— Mas ele não pode ser desligado de seu passado através de passes magnéticos? — perguntei.

— Não, ainda — respondeu-me Wallace. — Nosso irmão ainda não se esgotou por completo. (…) Necessita de tempo e muita oração para libertar-se do pesadelo em que se encontra.

Depois desse trecho da obra torna-se importante falar que nosso Deus misericordioso nunca iria desamparar nosso irmão, mesmo depois de todos os atentados infelizes. Não existem penas eternas. O irmão, antes dedicado ao mal, agora deverá passar por este longo período de turbulência para que numa próxima encarnação não torne a cometer os mesmos delitos.

Fonte: Aruanda. Robson Pinheiro, ditado pelo espírito de Ângelo Inácio. Casa dos Espíritos Editora, 2004.

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