Relato: Noivo tenta resgatar a jovem amada após o desencarne

Relato: Noivo tenta resgatar a jovem amada após o desencarne

Este relato de caso foi feito pelo espírito de André Luiz em uma de suas obras psicografadas pelo médium Chico Xavier.

No relato abaixo, André Luiz estava sendo acompanhado pelo mentor Aniceto, que lhe esclarecia algumas dúvidas. Logo, entraram numa sala de necrotério e André se defrontou com uma situação que aparentemente é bem comum.

Relato de André Luiz:

O colega, gentil, conduziu-nos ao interior de espaçoso necrotério, onde defrontamos um quadro interessante. O cadáver de uma jovem, de menos de trinta anos, ali jazia gelado e rígido, tendo a seu lado uma entidade masculina, em atitude de zelo.

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Com assombro, notei que a desencarnada estava unida aos despojos. Parecia recolhida a si mesma, sob forte impressão de terror. Cerrava as pálpebras, deliberadamente, receosa de olhar em torno.

— Terminou o processo de desligamento dos laços fisiológicos — exclamou o facultativo atento —, mas a pobrezinha há seis horas que está dominada por terrível pavor.

E apontando o cavalheiro desencarnado, que permanecia junto dela, cuidadoso, o receitista esclareceu:

— Aquele é o noivo que a espera, há muito. Aproximamo-nos um tanto e ouvimo-lo exclamar carinhosamente:

— Cremilda! Cremilda! vem! abandona as vestes rotas. Fiz tudo para que não sofresse mais… Nossa casinha te aguarda, cheia de amor e luz!…

A jovem, todavia, cerrava os olhos, demonstrando não querer vê-lo. Notava-se, perfeitamente, que seu organismo espiritual permanecia totalmente desligado do vaso físico, mas a pobrezinha continuava estendida, copiando a posição cadavérica, tomada de infinito horror.

Aniceto, que tudo pareceu compreender num abrir e fechar de olhos, fez leve sinal ao rapaz desencarnado, que se aproximou comovido.

— É preciso atendê-la doutro modo — disse o nosso orientador, resoluto —, vejo que a pobrezinha não dormiu no desprendimento e mostra-se amedrontada por falta de preparação espiritual. Não convém que o amigo se apresente a ela já, já… Não obstante o amor que lhe consagra, ela não poderia revê-lo sem terrível comoção, neste instante em que a mente lhe flutua sem rumo…

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— Sim — considerou ele, tristemente —, há seis horas chamo-a sem cessar, identificando-lhe o terror.

Redarguiu Aniceto, conselheiral:

— Ausência de preparação religiosa, meu irmão. Ela dormirá, porém, e, tão logo consiga repouso, entregá-la-emos aos seus cuidados. Por enquanto, conserve-se a alguma distância.

E fazendo-se acompanhar do facultativo, que assistira espiritualmente a jovem nos últimos dias, aproximou-se da recém-desencarnada, falando com inflexão paternal:

— Vamos, Cremilda, ao novo tratamento.

Ouvindo-o, a moça abriu os olhos espantadiços e exclamou:

— Ah, doutor, graças a Deus! que pesadelo horrível! Sentia-me no reino dos mortos, ouvindo meu noivo, falecido há anos, chamar-me para a Eternidade!…

— Não há morte, minha filha! — objetou Aniceto, afetuoso — creia na vida, na vida eterna, profunda, vitoriosa!

— É o senhor o novo médico? — indagou, confortada.

— Sim, fui chamado para aplicar-lhe alguns recursos em bases magnéticas. Torna-se indispensável que durma e descanse.

— É verdade… — tornou ela de modo comovente —, estou muito cansada, necessitando de repouso…

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Recomendou-nos o instrutor, em voz baixa, prestássemos auxílio, em atitude íntima de oração, e, depois de conservar-se em silêncio por instantes, ministrou-lhe o passe reconfortador. A jovem dormiu quase imediatamente.

Deslocou-a Aniceto, afastando-a dos despojos, com o zelo amoroso dum pai, e, chamando o noivo reconhecido, entregou-a carinhosamente.

— Agora, poderá encaminhá-la, meu irmão.

O rapaz agradeceu com lágrimas de júbilo e vi-o retirar-se de semblante iluminado, utilizando a volitação, a carregar consigo o fardo suave do seu amor.

Nosso mentor fixou um gesto expressivo e falou:

— Pela bondade natural do coração e pelo espontâneo cultivo da virtude, não precisará ela de provas purgatoriais. É de lamentar, contudo não se tivesse preparado na educação religiosa dos pensamentos. Em breve, porém, ter-se-á adaptado à vida nova. Os bons não encontram obstáculos insuperáveis.

E, desejoso talvez de consubstanciar a síntese da lição, rematou:

— Como veem, a ideia da morte não serve para aliviar, curar ou edificar verdadeiramente. É necessário difundir a ideia da vida vitoriosa. Aliás, o Evangelho já nos ensina, há muitos séculos, que Deus não é Deus de mortos, e, sim, o Pai das criaturas que vivem para sempre.

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É importante conhecermos o mundo espiritual, irmos nos habituando à ideia de que podemos desencarnar a qualquer momento, lermos as obras que nos descrevem a vida espiritual e compreendermos que recebemos o que tivermos dado.

Façamos o nosso melhor ao nosso alcance e sustentemos a certeza de que quando nosso momento chegar, não haverá razões para termos pavor da “morte”. Esse pavor, o medo de morrer é um obstáculo a que o perispirito se desprenda mais rapidamente do corpo físico.

Para aquele que tem a consciência tranquila não há o que temer, pois que amigos, familiares, e nosso guia ajudam no processo de desligamento do perispírito e nos ajudam a ambientar mais rapidamente à nova vida. Devemos ir-nos mentalizando e compreendermos que a morte não é um mal, mas apenas mudança de dimensão, plano.

Devemos ir-nos habituando a nos desprender dos bens materiais, a nos desligar do apego as coisas terrenas e afeiçoarmos aos valores espirituais, assim nosso desprendimento será mais suave e mais rápido por já nos identificarmos com a nova situação depois do desencarne.

Fonte: O relato foi extraído da obra “Os Mensageiros”, psicografia Chico Xavier, pelo espírito André Luiz, trecho do Cap.48 “Pavor da Morte”.

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Hugo Gimenez

Hugo Gimenez é o editor do blog O Estudante Espírita. Fisioterapeuta formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), começou suas primeiras leituras da Doutrina Espírita com 15 anos de idade. Hoje em dia, se interessa não só por literaturas próprias do Espiritismo, mas também por assuntos de espiritualidade em geral.
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