O Aborto na Visão Espírita

O Aborto na Visão Espírita

Em um artigo científico de 2016, diz que o aborto é um evento muito frequente entre as mulheres brasileiras. A PNA 2010 (Pesquisa Nacional do Aborto do ano de 2010), evidenciou que, aos 40 anos, uma em cada cinco mulheres da zona urbana já fizeram pelo menos um aborto. No ano de 2016 foi realizado semelhante pesquisa, contando com 2.002 mulheres, das quais 13% delas já tinham realizado pelo menos um aborto.

Antes de ler a mensagem abaixo, fique ciente de que a misericórdia divina é para todos, inclusive para quem pratica o aborto, mas isso não quer dizer que a pessoa que aborta não terá que corrigir seus atos. A misericórdia do nosso Pai Celestial contempla todos os seus filhos, mas isso não anula o fato de que haverá consequências dos erros cometidos.

Os motivos mais comuns que levariam as mulheres a executar o aborto, são: situação econômica difícil; momento inoportuno por causa da carreira profissional, onde a gravidez poderia atrapalhar; falta de maturidade para assumir grandes responsabilidades.

Outro motivo que podemos citar é o desconhecimento das consequências espirituais do ato, assim como a quase completa ignorância de como é a vida no plano espiritual e de como os espíritos se comportam, o que fazem o que não fazem, para onde vão de onde eles vem…

Muito possivelmente as mulheres ou tanto o casal que opta pelo aborto não conhecem as Leis Divinas, principalmente da Lei de Causa e Efeito e nem o processo de reencarnação dos espíritos. Se soubessem naturalmente pensariam melhor.

Em entrevista ao programa Transição, Divaldo Franco comenta o porquê das mulheres brasileiras recorrerem com tanta frequência às práticas de aborto. Divaldo respondeu:

“Primeiro, isso ocorre por desinformação; segundo, por fatores quase tradicionais e por fim porque é um mecanismo muito fácil de ser executado por pessoas mal orientadas.”

Divaldo comenta ainda que a prática é muito mais comum nas classes sociais mais baixas, pois nas maiores classes, as pessoas parecem tomar mais cuidado usando os métodos contraceptivos, que impedem o início de uma gravidez.

Ao adentrarmos na codificação espírita, no O Livro dos Espíritos, podemos ir até a questão 358, onde teremos a seguinte pergunta feita pelo próprio Allan Kardec:

358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”

O espírito de Miramez faz um comentário adicional sobre a resposta dada acima:

A amblose (aborto) constitui um crime, por subtrair-se da lei de Deus. É querer desarranjar a ordem do universo, intenção pela qual a criatura responderá por suas conseqüências funestas.

O apelo que a espiritualidade faz aos homens é que reconsiderem sobre esse fato, que analisem antes de praticarem esse nefando ato de falta de amor, lembrando-se da vida que somente pertence ao Criador. Pretendemos que o aborto caia no esquecimento de todos os povos, e que, num futuro não muito longe, ele saia das cogitações humanas.

Uma mãe que aborta o filho por motivos banais, por não querer filhos, não pode ser chamada de mãe, um nome sinônimo de amor; e quem pratica esse crime não tem amor no coração.

(…) Encontramos muitos que, no fundo, reconhecem a verdade da reencarnação mas negam essa lei para entrarem na desordem do crime do aborto, sabendo e fingindo não saber que responderão pelo que fizerem na vida e da vida. O pior engano é pretender enganar Deus.

O aborto é um crime de maior monta, é matar quem não tem meios de defender a própria vida, em um corpo que se encontra formação. O pior é que são muitos os inimigos que o assassino granjeia no mundo espiritual, no ato de abortar uma criança em gestação.

No código penal brasileiro, ou melhor dizendo na “Lei dos Homens” aqui no Brasil, somente em dois casos há legalização do aborto. Uma delas se remete ao fato da gravidez pôr em risco a vida da mãe; a outra se remete ao fato da gravidez for o resultado de uma situação de estupro.

Nas pessoas menos informadas, existe uma forma errada de crendice onde a criança somente é contemplada com um espírito após o momento do nascimento. Mas numa outra pergunta aos espíritos, Allan Kardec indaga sobre o momento da união do espírito ao corpo da criança:

344. Em que momento a alma se une ao corpo?

“A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

Eu fiz um aborto. E agora?

Primeiramente coloquemos na mente que nada adianta alimentar a culpa de um ato cometido. Isso não ajudaria em nada, tendo em vista que somos todos seres errantes. Erramos hoje e também no passado.

Agora devemos nos concentrar em reparar aquilo que fizemos de mal para nós mesmos e para o próximo.

É comum que a mulher ou o casal que optou pelo aborto venha a sofrer complexos de culpa ou desenvolva processos depressivos pois pensam que não existirá como compensar aquele erro do passado.

Veja mais:

Deus é justo e misericordioso e antes de criar a Terra e seus habitantes, já havia pensado e calculado todos os possíveis devaneios que iríamos cometer usando de nosso livre arbítrio. Por isso, ele não pune, não condena. Apenas nos dá incontáveis oportunidades de repararmos aquilo que fizemos.

É nos centros espíritas que podemos encontrar um aconselhamento adequado para esses tipos de situações livre de julgamentos e discursos de condenação, penas eternas, inferno e demais coisas que não somam em nada.

É nessa experiência dentro do conhecimento espírita que a mulher ou o casal possa se renovar e evoluir ao invés de se martirizar.

Fonte:

Programa Transição de número 241;

O Livro dos Espíritos, Questões 344 e 358.

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Hugo Gimenez

Hugo Gimenez é o editor do blog O Estudante Espírita. Fisioterapeuta formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), começou suas primeiras leituras da Doutrina Espírita com 15 anos de idade. Hoje em dia, se interessa não só por literaturas próprias do Espiritismo, mas também por assuntos de espiritualidade em geral.
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