O Sermão da Montanha Segundo o Espiritismo e as Bem-Aventuranças

O Sermão da Montanha Segundo o Espiritismo e as Bem-Aventuranças

O Sermão da Montanha Segundo o Espiritismo e as Bem-Aventuranças
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O Sermão da Montanha Segundo o Espiritismo — Quando Jesus falou sobre as Bem-Aventuranças

Nesta matéria trataremos do Sermão do monte, ou Sermão da Montanha proferido por Jesus aos desventurados. Falaremos sobre as Bem-Aventuranças e os bem-aventurados segundo o Espiritismo, citando a obra de Cairbar Schutel.

Cairbar lembra a passagem em que, tomado de compaixão pelo mundo, o Cristo desce das alturas, senta-se sobre um alto monte, atrai a si multidões de desventurados e começa o seu monumental sermão com as consoladoras promessas:

― Vendo Jesus a multidão, subiu ao monte; e depois de se ter sentado, aproximaram-se seus discípulos; e ele começou a ensiná-los, dizendo:

― Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

― Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

― Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.

― Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.

― Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

― Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

― Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

― Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

― Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque grande é o vosso galardão nos Céus; pois assim perseguiram aos profetas que existiram antes de vós.

Mateus, 5, 1-12

O Sermão da Montanha Segundo o Espiritismo — Mantendo a esperança no Vale de Lágrimas

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O que Jesus queria falar sobre as Bem-Aventuranças nesse trecho do Sermão da Montanha, segundo o Espiritismo?

De acordo com o autor espírita Cairbar Schutel em sua obra “Parábolas e Ensinos de Jesus”,  existem dores e tristezas em maior quantidade no mundo. São maiores do que as alegrias.  As Escrituras chamam a Terra de “Vale de Lágrimas” e compara a vida do homem à do operário que apenas à noite come o seu pão banhado de suor.

Sentimo-nos, neste mundo, vergados ao peso da dor; hoje, amanhã ou depois, ela não deixa de visitar-nos. O peso dos infortúnios acompanha a Humanidade em todos os séculos.

O homem vem ao mundo com um grito; um gemido de dor é o seu último suspiro! Do berço ao túmulo, a estrada da vida está semeada de espinhos e banhada de lágrimas! Quantas ilusões, quantas amarguras, quantas dores passamos neste mundo!

A dor é uma lei semelhante à da morte; penetra no tugúrio do pobre como no palácio do rico. Neste mundo ainda atrasado, onde viemos progredir, a dor parece ser a sentinela avançada a nos despertar para a perfeição.

Cairbar ainda cita uma frase de um famoso médico judeu, Max Nordau, que dizia: ―Ide de cidade em cidade e batei de porta em porta; perguntai se aí está a felicidade, e todos vos responderão. Não; ela está muito longe de nós!

O Sermão do Monte e as recomendações de Jesus para os bem-aventurados

Mas se é verdade que o Senhor permitiu que os sofrimentos nos assaltassem, não é menos verdade que também nos proporciona a Esperança, com que aguardamos dias melhores. ― Bem-aventurados os que sofrem, pois serão consolados.

Cairbar sustenta a afirmação espírita dizendo que a esperança é a estrela que norteia as nossas mais belas aspirações; é a estrela que ilumina a noite tenebrosa da vida, e nos faz vislumbrar a estância de salvamento. A vida na Terra é um caminho que nos conduz às paragens luminosas da Vida Eterna; não é um repouso, mas uma preparação para o repouso.

Atravessamos a existência na Terra como o soldado atravessa um campo de fogo e de sangue, e os bravos e os fortes de espírito cravam nas muralhas o seu estandarte e levantam o grito de vitória!

O homem que confia e espera em Deus, vê nos sofrimentos o resgate de suas faltas, o meio de se purificar da corrupção! É preciso ter fé, é preciso ter Esperança. Dizei ao moribundo que, em verdade não morrerá, e ele, animado pela vossa palavra, enfrentará a morte e não sofrerá o seu aguilhão!

Perca o homem tudo: bens, fortuna, saúde, parentes, amigos, mas se a Esperança, Filha do Céu, o envolve, ele prossegue em sua ascensão para o bem, para a vida, para a Imortalidade!

Jesus a todos recomendava: resignação na adversidade, mansidão nas lutas da vida, misericórdia no meio da tirania, e higiene de coração para que pudessem ver Deus.

Nessa autêntica oração, o Senhor já previa que seriam injuriados e perseguidos todos aqueles que, crendo na sua Palavra, encontrassem nela o arrimo para suas dores, o lenitivo para seus sofrimentos; mas recomenda, antecipadamente, não nos encolerizarmos com o mal que nos fizerem, para que seja grande o nosso galardão nos Céus.

Lutemos contra a dor, aproveitando essa prova que nos foi oferecida, para a vitória do Espírito, liberto dos liames terrenos! Empunhemos a espada da Fé e o escudo da Caridade, com todos os seus atributos, e o Reino de Deus florescerá em nós, como rogamos diariamente no Pai nosso, a prece que Jesus nos legou.

É no O Evangelho Segundo o Espiritismo que encontramos a visão espírita dos bem aventurados.

Segundo Kardec, quando Jesus faz as promessas aos desventurados, suas palavras poderiam ser traduzidas dessa forma:

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“deveis considerar-vos felizes por sofrer, porque as vossas dores neste mundo são as dívidas de vossas faltas passadas, e essas dores, suportadas pacientemente na Terra, vos poupam séculos de sofrimento na vida futura. Deveis, portanto, estar felizes por Deus ter reduzido vossa dívida, permitindo-vos quitá-las no presente, o que vos assegura a tranqüilidade para o futuro”. (Kardec).

De acordo com Kardec, os bem aventurados devem se sentir felizes, mesmo se estiverem em sofrimento “porque pagam suas dívidas, e porque, após a quitação, estarão livres. Mas se, ao procurar quitá-las de um lado, de outro se endividarem, nunca se tornarão livres.

Ora, cada nova falta aumenta a dívida, pois não existe uma única falta, qualquer que seja, que não traga consigo a própria punição, necessária e inevitável. Se não for hoje, será amanhã; se não for nesta vida, será na outra.

Entre essas faltas, devemos colocar em primeiro lugar a falta de submissão à vontade de Deus, de maneira que, se reclamamos das aflições, se não as aceitamos com resignação, como alguma coisa que merecemos, se acusamos a Deus de injusto, contraímos uma nova dívida, que nos faz perder os benefícios do sofrimento”.

Ser um bem aventurado na Terra é uma tarefa árdua e sob o olhar da pessoa que gosta de coisas imediatas pode parecer desvantajosa e injusta. Mas o bem aventurado não deve ficar preso às vantagens e recompensas terrenas. O pensamento deve estar na vida futura, no plano espiritual.

Já dizia Kardec: o homem é semelhante ao trabalhador que comparece no dia de pagamento. A uns, dirá o patrão: “Eis a paga do teu dia de trabalho”. A outros, aos felizes da Terra, aos que viveram na ociosidade, que puseram a sua felicidade na satisfação do amor próprio e dos prazeres mundanos, dirá: “Nada tendes a receber, porque já recebestes o vosso salário na Terra. Ide, e recomeçai a vossa tarefa”.

Quando fala em “Ide, e recomeçai a vossa tarefa”, Kardec quer lembrar da Reencarnação dos espíritos.

Veja mais:

Fontes:

  • Parábolas e Ensinos de Jesus. Cairbar Schutel. Casa Editora O Clarim.
  • O Evangelho Segundo O Espiritismo. Capítulo 5.

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