O que são Orixás e por que se usam imagens de santos católicos na Umbanda e Candomblé?

O que são Orixás e por que se usam imagens de santos católicos na Umbanda e Candomblé?

O que são Orixás e por que se usam imagens de santos católicos na Umbanda e Candomblé?
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Na escola, nas aulas de História aprendemos que os Orixás eram mascarados pelos santos da Igreja Católica, para que os negros da época pudessem manter seu culto religioso sem a interferência da intolerância dos brancos.

Porém, até hoje, ainda é possível encontrar vários terreiros e barracões, adotando o uso das imagens dos santos católicos concomitantemente com as imagens dos Orixás, popularmente também chamados pela população mais leiga de imagens de santos da Umbanda ou imagens de santos do Candomblé, dependendo da doutrina a qual se refiram.

Além de tradições e História e o sincretismo religioso entre os santos e Orixás adotado no Brasil, existem outros fatores envolvidos nisso. É exatamente este ponto, que explica um dos livros de Robson Pinheiro. Trata-se da obra psicografada Aruanda, ditada pelo espírito Ângelo Inácio.

Ângelo descreve as características do local o qual estão prestes a acompanhar os trabalhos:

“Aproximamo-nos vibratoriamente da tenda, que se dizia umbandista. Creio que, na verdade, a forma de culto que presenciávamos ali era um misto de Umbanda e Candomblé. O batuque era alto; os homens responsáveis pelos tambores pareciam em êxtase. No meio do salão, todo enfeitado com bandeirolas coloridas, um círculo de pessoas dançava a música cadenciada. Os médiuns do terreiro, todos com vestes bastante coloridas, dançavam sob a influência dos atabaques e demais tambores, tocados num determinado ritmo.”

Para explicar tal distorção que havia do culto umbandista, o espírito de Catarina, que acompanhava Ângelo naquele local, explicou os elementos ali presentes que não pertenciam propriamente à Umbanda:

— Este não é um templo umbandista. Os dirigentes desta tenda, não possuindo maiores esclarecimentos sobre as leis da Umbanda, adotaram o nome sagrado e se autodenominam umbandistas. Mas, veja, Ângelo, que ainda estão presos a antigos rituais, de procedência africana. Elementos como os atabaques, os cânticos na língua ioruba e os demais apetrechos que observamos já denotam que não é uma tenda umbandista. A multidão que comparece ao culto é atraída pela música, os cânticos e rituais; não há, entretanto, nenhum ensinamento de ordem moral. Também se pode notar que neste terreiro os médiuns cultuam os orixás à semelhança do candomblé. Na Umbanda, é diferente. Reconhecem-se apenas sete orixás, e os respeitamos como vibrações das forças da natureza.

Para completar o conhecimento, o Espírito do Pai João explicou para Ângelo o que são os Orixás e por que usam imagens dos santos católicos nos cultos:

— É importante compreender o que sejam os orixás e sua atuação no mundo. A parte todo o ritual e as práticas que soam como excessos para nós, convém entender o que está por detrás da alegoria. Orixá é uma força viva da natureza, por vezes confundido com os elementais que se afinizam com suas vibrações. Podemos dizer que orixá é uma vibração cósmica; sendo assim, não se equipara aos seres desencarnados que incorporam em seus médiuns. Como vibração e energia primordial, os orixás tal e qual guardam determinadas características que se assemelham muito às de certos santos do culto católico. Daí, faz todo sentido o chamado sincretismo, aspecto muito marcante e interessante da cultura brasileira. Mas não significa que os orixás sejam tais santos, absolutamente. São princípios ativos, não encarnantes, e se porventura a Umbanda utiliza imagens de santos católicos para simbolizar os orixás, é apenas a fim de estabelecer uma conexão mental entre o povo e as verdades da Umbanda, através da crença popular.

(…) — Oxalá representa uma vibração que é responsável pela energia da paz. Também está associado ao elemento masculino ou yang, como queira classificar. Iemanjá, por sua vez, está ligada à água, simbolizando o elemento feminino. Porém, Oxalá não é Jesus, nem Iemanjá é Nossa Senhora, como pode sugerir o sincretismo. Se o culto umbandista lança mão das imagens de Nosso Senhor e Nossa Senhora para representar os orixás que lhes correspondem, é em virtude da necessidade popular de uma referência material para compreender as coisas espirituais. Os leigos, a população em geral teria dificuldade em entender o que seja uma vibração; é um conceito abstrato. No entanto, quando tais vibrações, como a paz e o elemento masculino, são representadas pela imagem de Jesus, estabelece-se imediatamente um ponto de contato entre o indivíduo e a vibração de seu orixá. Muitos ainda precisam de elementos materiais para alcançar realidades que estão no plano infinito da criação.

— Isso mesmo — falou Vovó Catarina. — As semelhanças de cada orixá-vibração com os santos católicos são apenas superficiais, simbólicas ou imagéticas, poderíamos dizer, embora os seres canonizados pela Igreja tenham tido, durante suas vidas, características que remetessem a este ou aquele orixá. Explicando melhor: sendo Oxalá uma vibração do elemento masculino, positiva, força ativa e fecundante, assemelha-se, pois, a Jesus, Nosso Senhor, sob cuja tutela e orientação a vibração de Oxalá atua. Do mesmo modo, os demais orixás, na Umbanda, são identificados, conforme a vibração de cada um, com este ou aquele personagem reverenciado como santo. Ainda sobre a natureza do orixá-vibração Oxalá, vale dizer que é ele o responsável por reger o chacra coronário e está relacionado ao corpo mais superior do espírito, o sétimo corpo espiritual, o corpo átmico, segundo o setenário espiritualista.

— Iemanjá, que, por sua vez, está associada ao elemento feminino, à lua e às marés, representa a sensibilidade e a emoção. A vibração de Iemanjá está intimamente ligada ao chacra frontal e ao corpo búdico, devido à função e às características dessas estruturas. A seguir, temos a vibração Yori, relacionada com o laríngeo e o corpo mental superior. Xangô, em sua vibração original, está associado ao chacra cardíaco e, por conseguinte, ao corpo mental inferior ou concreto. Isso se deve ao fato de que a vibração Xangô, ou o orixá Xangô, traduz justiça, equilíbrio e verdade. Ogum, que possui uma vibração mais intensa, tem características que se assemelham ao chacra umbilical; está na posição vibratória do corpo astral, das emoções fortes e passionais. Já Oxóssi, ligado à natureza e às florestas, às curas e à força prânica, relaciona-se ao chacra esplênico e, desse modo, ao duplo etérico, que é o harmonizador das energias da aura. Finalmente, a vibração de Yorimá simboliza os pretos-velhos e está associada ao chacra básico, pois as entidades que vibram na forma de pretos-velhos trabalham com o ectoplasma e diretamente ligados à sabedoria e à manipulação de fluidos densos.

— Então é correto afirmar que os orixás não são seres que um dia estiveram encarnados?

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— Precisamente. São apenas vibrações. Contudo, na Umbanda, existem entidades espirituais que correspondem ou traduzem essa vibração. Classificam-se como orixás menores, que, por sua vez, se fazem representar por caboclos e outros espíritos que habitualmente se apresentam na Umbanda, como pais-velhos e crianças, estas, em alguns locais, conhecidas como erês. Os orixás menores são espíritos de seres que um dia estiveram encarnados, e sua função é sobretudo interpretar as leis e as vibrações originais dos chamados orixás maiores ou vibrações, que citamos anteriormente.

A partir disso, fica claro que os santos católicos na Umbanda e no Candomblé possuem outra forma de entendimento, que não é a mesma das igrejas. Obviamente as entidades da Umabnda ou do Candomblé não são as mesmas dos santos da igreja, servindo como uma associação.

Saiba mais sobre o mundo espiritual e como funciona adquirindo o livro Aruanda, pelo médium Robson Pinheiro. Você descobrirá porque as figuras do negro e do indígena – pretos-velhos e caboclos –, tão presentes na história brasileira, incitam controvérsia no meio espírita e espiritualista. Aprenda também sobre elementos da espiritualidade que até hoje são muito pouco abordados no Espiritismo.

Capa do livro Aruanda

Fonte:  Aruanda. Robson Pinheiro, ditado pelo espírito de Ângelo Inácio. Casa dos Espíritos Editora, 2004.

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