Pessoas que pedem ajuda, mas NÃO querem se ajudar – O que fazer?

Pessoas que pedem ajuda, mas NÃO querem se ajudar – O que fazer?

O mundo precisa cada vez mais de pessoas devotadas para o bem. Para ajudar o próximo. Pessoas que não pedem nada em troca, pois alegram-se ao ver um semblante feliz daquela pessoa que recebeu a boa ação. Elas não querem divulgação dos seus atos, não imploram por atenção e holofotes, pois são dotadas de empatia. Você sabe o que significa empatia?

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. De forma mais grosseira, é como se eu, por exemplo, me imaginasse na pele de uma outra pessoa, sentindo total ou parcialmente o que ela sente.

Um dos benefícios de uma pessoa dotada de empatia é que ela não se entrega facilmente ao julgamento. Como assim? Vou colocar um exemplo: imaginemos um homem que cometeu algum crime. Uma pessoa com empatia verá o criminoso com outros olhos ao invés de lançar o ódio. Naturalmente essa pessoa (com empatia) fará algumas perguntas internas e buscará investigar antes de dar um veredito àquele que cometeu um ato desmedido: por que será que ele chegou a este ponto?,  O que esta pessoa está passando? Quem é a família dele? Será que ele se arrepende do que fez?

Enquanto uma pessoa sem empatia diz a infeliz frase: Errou! Agora, que se dane!

Então, sem querer generalizar, mas já generalizando, pessoas com empatia gostam de ajudar e não apontam o dedo. Mas será que toda essa boa vontade é infinita? Eu creio que não. Todos temos um limite. Muitos são os que imploram por ajuda, por alguém que apontem uma direção para a solução dos seus problemas. Mas a verdade é que poucos tem a disposição de ir na direção sugerida. Aquele que pediu ajuda quer ser “carregado nos braços” até o destino final. Infelizmente muitos só querem que alguém, do nada, apareça e lhes dê o “produto final”, sem o custo e esforço de produção. Só querem o milagre.

Vejam um exemplo usando um exemplo de Jesus: Ele, que sempre caminhava pelas comunidades, em diversos territórios, não saia por aí procurando gente para curar com a intenção de provar seu poder para aquelas pessoas, não. Ele saia para ensinar, para pregar a palavra de Deus. Os necessitados de cura que chegavam até ele, pois ouviam de longe os rumores que Jesus, o filho do Deus havia chegado na cidade, daí saiam de seus lares e iam em busca dele, que ao receberem a cura, a aceitaram, mas eram instruídos quanto a palavra do Senhor. Dessa forma, se aquelas pessoas não tivessem aproveitado a passagem do Mestre para aprender algo que os edificasse e os curasse, estariam na mesma situação de antes e assim ficariam pelo resto de suas vidas.

No Espiritismo temos instruções claras de que ao recebermos uma graça divina por merecimento podemos retornar ao sofrimento caso nossa reforma íntima seja desfeita. Ou seja, se voltarmos atrás e quisermos ter a mesma vida pautada nos vícios de outrora, voltaremos para o sofrimento. Se não voltarmos a ter aquela mesma enfermidade, então pode vir outra na mesma intensidade. Isso sabemos que não é castigo, é aprendizado, pois obtivemos algo, que no final não foi do nosso merecimento.

Quando a gente sabe um pouquinho de Espiritismo, da mensagem que ele tem para nos passar , dos ensinamentos que a medicina e a ciência moderna ainda ignoram… quando a gente consegue dar uma explicação diferenciada a algo que a medicina não consegue explicar sobre um determinado problema, parece que as pessoas “voam” em cima de você querendo ajuda, e isso é bom. E é ótimo para elas também. Mas daí você começa a explicar que tudo depende da Reforma Íntima, de mudarmos, abandonar vícios (mesmo que aos poucos, mas se dedicando); daí a gente fala de renúncia de uma forma geral… Nossa! As pessoas começam a dar as famosas DESCULPINHAS e pulam fora.

Quando, no caso, algumas acham interessante a proposta da doutrina, se animam, buscam melhorar. Daí percebe-se naturalmente que a pessoa começa a melhorar e quando o indivíduo percebe a melhora, cai no erro de pensar tipo assim:

— Haa! já estou bem melhor. Acho que eu nem preciso mais disso. Quem sabe posso voltar a ter minha ANTIGA VIDA de volta.

Depois que o sofrimento retorna, essas pessoas retornam a nos procurar e prontamente o ajudamos, sem julgar, sem apontamentos; afinal a vida é dele, né? (!) Novamente a pessoa toma jeito novamente, e novamente fica bem; até que cai na tentação novamente, perpetuando um ciclo que nem a pessoa com a maior boa vontade do mundo poderia ter tanta paciência para “adotar” um sofredor para o resto da vida.

Novamente eu tenho que dizer: EU ESTOU GENERALIZANDO DE PROPÓSITO PARA FINS DE EXEMPLOS PRÁTICOS E DE VIVÊNCIAS PRÓPRIAS. ISSO TUDO NÃO É UMA REGRA. MAS SE VOCÊ PARAR PARA PENSAR, OCORRE BASTANTE.

Por fim, você percebe que tem pessoas que, depois de inúmeras tentativas de conversa contigo, de inúmeras sugestões ditas, as pessoas escondem-se em palavras, mas na verdade parece que elas queriam dizer assim:

— Amigo! Gosto muito de ti, mas eu não estou mais afim dessa caretice de Espiritismo, de reforma íntima, de mudar minhas atitudes, de abandonar meus vícios… Eu quero mesmo é uma fórmula mágica que me deixe bem e que eu possa voltar para a zorra. Você poderia me ver isso?

Complicado né? O pior é que a gente ainda tenta insistir mais um pouco, mas o problema é que essas pessoas, nesse estado de incompreensão, revolta acabam sugando nossa energia.


Conclusões pessoais:

Se você é dessas pessoas cheias de empatia, AJUDE! FAÇA A CARIDADE!

Se uma pessoa te pede ajuda, ajude! Sem julgamentos, sem taxações.

Aponte as direções, dê o seu ponto de vista sem impor nada, apenas aponte para uma possível saída. Mas se perceber que a pessoa na verdade não se ajuda, não se esforça; então não se preocupe demais, pois você fez a sua parte. Agora deixe que a pessoa por si só caia em si e tome o rumo que ela ache mais coerente.

Fui ensinado que ao “adotar” uma pessoa com certo sofrimento, adota-se também os obsessores dela. E sabemos que já temos os nossos próprios obsessores para dar conta. Por fim, aprendi que a caridade é uma ferramenta magnífica, mas que mesmo assim, precisa-se de prudência.

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Hugo Gimenez

Hugo Gimenez é o editor do blog O Estudante Espírita. Fisioterapeuta formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), começou suas primeiras leituras da Doutrina Espírita com 15 anos de idade. Hoje em dia, se interessa não só por literaturas próprias do Espiritismo, mas também por assuntos de espiritualidade em geral.
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