Por que Deus permite o sofrimento? Segundo o Espiritismo: por que sofremos?

Por que Deus permite o sofrimento? Segundo o Espiritismo: por que sofremos?

Por que Deus permite o sofrimento? Segundo o Espiritismo: por que sofremos?
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Por que Deus permite o sofrimento? — Por que tanto sofrimento no mundo?

Viver na Terra não é como estar de férias eternamente. Sentimos dor, sofremos; uns sofrem mais, outros menos. Mas se Deus nos ama, por que sofremos?

Qual é a lógica por trás disso tudo? Por que Deus permite tanto sofrimento para uns, enquanto que outros não sofrem tanto?

Chico Xavier nos dá um grande exemplo através de uma de suas psicografias:

No livro No Mundo Maior, inspirado por André Luiz e psicografado por Chico Xavier, há uma cena em que um espírito muito alto vem em auxílio de um espírito desencarnado que foi assassinado.

Ele estava perseguindo seu assassino por mais de vinte anos. O espírito elevado, uma mulher, tentou argumentar com ele para abandonar sua obsessão inútil e perdoar. Quando o homem falou da injustiça e do sofrimento, ela respondeu:

Quem de nós, meu amigo, poderá apreender toda a significação do sofrimento? Indagas a razão por que permitiu o Senhor atravessasses tão dura prova…

Não será o mesmo que interrogar o oleiro pelos motivos que o compelem a cozer o delicado vaso em calor ardente, ou inquirir do artista os propósitos que o levam a martelar a pedra bruta, para a obra-prima de estatuária?

Camilo, a dor expande a vida, o sacrifício liberta-a. O martírio é problema de origem divina. Tentando solvê-lo, pode o espírito elevar-se ao píncaro resplandecente ou precipitar-se em abismo tenebroso; porque muitos retiram do sofrimento o óleo da paciência, com que acendem a luz para vencer as próprias trevas, ao passo que outros dele extraem pedras e acúleos de revolta, com que se despenham na sombra dos precipícios.

Notando que o desventurado chorava amargamente, Cipriana (o Espírito que tentava consolar) continuou, depois de breve silêncio:

Chora! Desabafa-te! O pranto de compunção tem miraculoso poder sobre a alma ferida.

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Calou-se a emissária por minutos. Seus olhos muito lúcidos pareciam agora vaguear em paisagem distante…

Recolheu Camilo, quase maquinalmente, nos braços, conservando os contendores conchegados ao peito, qual se lhes fora mãe comum.

Transcorrido algum tempo, dirigiu carinhoso olhar para Camilo e prosseguiu, contando como foi sua dura passagem pela Terra:

Comentas o mal que te feriu, invocas a Providência com expressões desrespeitosas… Ó meu filho, cala o dom de falar
quando não puderes servir ao bem. Vivi igualmente na Terra e não padeci quanto devia, considerado o tesouro da iluminação espiritual que recebi do Céu pela dor. Perdi meus sonhos, meu lar, meu esposo, meus filhos!

Meus dois rapazes foram assassinados numa guerra civil, em nome de princípios legais; minhas duas filhas, seduzidas pelo fascínio do prazer e do ouro, escarneceram de minhas esperanças e permanecem na esfera sombria, emaranhadas em perigosas ilusões. O esposo era o único amigo que me restava; entretanto, quando a lepra acometeu minha carne, abandonou-me também, empolgado por visível horror.

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Desprezaram-me todas as afeições, fugiram os favores do mundo; contudo, enquanto meus membros se desatavam do corpo que se corrompia, quando me achava relegada ao extremo desamparo dos que me eram caros, robustecia-se dentro em mim o cântico da esperança. Minh’alma glorificava o Senhor da Vida Triunfante… Concedera-me Ele, um dia, todas as graças da saúde e da mocidade, retomando, em seguida, esses bens, que eu guardava por empréstimo.

Privou-me dos entes queridos, desfez-me o equilíbrio orgânico, enviou-me a fome e a dor; no entanto, quando a minha solidão se fez amarga e completa, minha fé elevou-se mais clara e mais viva… Que necessitava eu, miserável mulher, senão padecer, para santificar a esperança? Que não precisarei ainda, para lograr o acesso às fontes superiores? Quem somos nós, senão vaidosos vermes com inteligência mal aplicada, aos quais se tem de mil modos manifestado a Misericórdia Infinita, mas em vão?

O Assistente tocou o ombro de André Luiz e fez o seguinte comentário sobre o caso acima:

O coração que ama está cheio de poder renovador. Certa feita, disse Jesus que existem demônios somente suscetíveis de regeneração pelo jejum e pela prece. As vezes, André, como neste caso, o conhecimento não basta: há que ser o homem animado da força divina, que flui do jejum pela renúncia, e da luz da oração, que nasce do amor universal.

Que melhor explicação você poderia desejar? Considere-nos a argila bruta que deve ser moldada e endurecida pelo fogo para emergir um espírito puro. O processo pode ser doloroso e difícil, mas os resultados são magníficos.

As recompensas de alcançar o status de um alto espírito valerão todos os obstáculos e obstáculos que teremos que superar. Então, conheceremos o amor verdadeiro por todos. Não há meta maior.

Porque Deus permite o sofrimento? — É castigo de Deus ou é a colheita obrigatória?

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Segundo o Espiritismo, por que Deus permite o sofrimento? Quais explicações os Espíritos de Luz nos deram quanto a isso? Nós podemos escolher, antes de reencarnar, quais o sofrimentos iremos passar na nossa encarnação presente?

Quando não conhecemos os desígnios de Deus, nos atrevemos a dizer que todo sofrimento é castigo de Deus ou até que Deus não existe, pois se existisse não haveria sofrimento no mundo.

O Espiritismo nos elucida que nenhum sofrimento é “capricho” de Deus, mas sim fruto de nossos caprichos, de nossas escolhas erradas em vidas passadas, as quais temos que reparar em nossas vidas atuais. Soma-se ainda as escolhas ruins que fazemos na nossa vida atual, que pode somar-se aos sofrimentos futuros, frutos de nossas escolhas infelizes do agora.

O sofrimento dói, mas também lava nossa alma da lama que encobria nosso corpo. Olhando por esse ângulo, o sofrimento deveria ser entendido como uma chance, uma oportunidade que ouro ou dinheiro nenhum pode comprar.

O Livro dos Espíritos (Allan Kardec), nos revela, na pergunta 258:

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  1. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?

“Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar, e nisso consiste o seu livre-arbítrio.”

  1. a) –Não é Deus, então, que lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

“Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus que estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou ele esta lei e não aquela! Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das conseqüências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal.

Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou, e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito. Ademais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu.”

Dessa forma, muitos dos sofrimentos que passamos aqui na Terra já haviam sido programadas pela espiritualidade superior, com a supervisão maior do nosso Pai Supremo. Muitas dessas provas foram escolhidas pelo próprio espírito que irá reencarnar. Diante do combinado, o espírito começa sua preparação para o reencarne, vindo a passar por um processo de “esquecimento consciente” do período que esteve no plano espiritual, assim como das vidas passadas. Tal esquecimento não é definitivo e nem total, pois o indivíduo reencarnado sentirá no íntimo alguns instantes dessas lembranças.

Por que Deus permite o sofrimento? — Como são escolhidos os sofrimentos?

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Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta sobre como são escolhidos a natureza dos sofrimentos na Terra:

  1. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós as previmos e escolhemos?

“Todas, não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades são a conseqüência da posição em que vos achais e, muitas vezes, das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar.

Esses atos resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele evento. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas.

Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muita probabilidade de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.”

Por que sofremos tanto nessa vida — Além do sofrimento, as tentações

  1. Nas provações por que lhe cumpre passar para atingir a perfeição, tem o Espírito que sofrer tentações de todas as naturezas? Tem que se achar em todas as circunstâncias que possam excitar-lhe o orgulho, a inveja, a avareza, a sensualidade, etc.?

“Certo que não, pois bem sabeis haver Espíritos que desde o começo tomam um caminho que os exime de muitas provas. Aquele, porém, que se deixa arrastar para o mau caminho, corre todos os perigos que o inçam. Pode um Espírito, por exemplo, pedir a riqueza e ser-lhe esta concedida. Então, conforme o seu caráter, poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda lançar-se a todos os gozos da sensualidade. Daí não se segue, entretanto, que haja de forçosamente passar por todas estas tendências.”

  1. Que é o que dirige o Espírito na escolha das provas que queira sofrer?

“Ele escolhe, de acordo com a natureza de suas faltas, as que o levem à expiação destas e a progredir mais depressa. Uns, podem, portanto, impor a si mesmos uma vida de misérias e privações, objetivando suportá-las com coragem; outros preferem experimentar as tentações da riqueza e do poder, muito mais perigosas, pelos abusos e má aplicação a que podem dar lugar, bem como pelas paixões inferiores que uma e outro desenvolvem; outros, finalmente, se decidem a experimentar suas forças nas lutas que terão de sustentar em contato com o vício.”

O assunto é extenso e não cabe ao blog esgotar tudo aqui nesse único artigo, para mais informações sobre o tema “por que sofremos”, procure em O Livro dos Espíritos » Parte Segunda – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos: Capítulo VI – Da vida espírita – Escolha das provas

Veja mais:

Fontes:

Texto original: The Meaning of Suffering, de Brian Foster;

No Mundo Maior. Psicografia de Chico Xavier (pelo Espírito de André Luiz). 2009.

O Livro dos Espíritos. Allan Kardec. Perguntas 258, 259, 261 e 264.

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