O preconceito religioso contra a Umbanda

O preconceito religioso contra a Umbanda

O preconceito religioso contra a Umbanda
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O preconceito com a Umbanda — Questões históricas

O preconceito contra Umbanda e Candomblé e qualquer outra religião de influências africanas são derivados de antigos impasses na história. Por ora, vamos nos centrar nas questões referentes ao preconceito contra a religião Umbanda e seus impasses com o Espiritismo.

No passado, o Espiritismo chegou ao Brasil e foi escrachado pela igreja, seus seguidores e simpatizantes foram perseguidos. A situação era muito delicada, até hoje ainda é possível sentir um resquício desse preconceito.

Bem depois uma religião surgiu através da mediunidade de Zélio de Morais, mais tarde vindo a se fixar e se popularizar com o nome de Umbanda. Foi através dela que os pretos-velhos, caboclos e demais outras entidades puderam mostrar a sua voz.

Preconceito religioso Umbanda e Espiritismo: Questões ainda não vencidas

preconceito contra umbanda 2
Imagem de Matheus Vigilar

A ignorância mais uma vez se fez presente e massacra até hoje mais um seguimento espiritualista. E não raro vemos muitos espíritas, ontem vítimas, agora, vociferando seu preconceito mascarado por uma hipocrisia baixa.

Baseado nesse desabafo, trago para os leitores um trecho do livro Aruanda, do médium Robson Pinheiro, pelo espírito de Ângelo Inácio, que fala justamente sobre essa polêmica:

“O encontro com Euzália despertou em meu espírito muitas lembranças ternas. Também vi no convite da mentora generosa uma oportunidade de trazer novos apontamentos para muitos companheiros encarnados e intensificar ainda mais o trabalho que envolve a delicada questão do preconceito, tão comum em muitos trabalhadores
espíritas.

Creio que a atual confusão que se faz nas terras brasileiras quanto ao Espiritismo e à Umbanda fez surgir uma espécie de reserva nos chamados médiuns de mesa em relação aos médiuns de terreiro. O estigma gerado foi tão grande que os irmãos espíritas parecem “tremer nas bases” toda vez que alguém confunde as duas religiões.”

O preconceito com a umbanda vindo dos espíritas — Que mania é essa de se achar que preto-velho é espírito ignorante?

“É claro que sou a favor do esclarecimento do povo e da sociedade em geral, mas, primeiramente, é preciso fazê-lo
no meio onde impera essa confusão, isto é: entre espíritas e umbandistas. Por que tanto desconhecimento e mal entendido assim, meu Deus?

Espiritismo é Espiritismo e disso nenhum de nós duvida, assim como Umbanda é Umbanda e não há como deixar de distinguir as duas coisas. No entanto, a guerra que se faz por aí contra os espíritos que se manifestam como pretos-velhos e caboclos é tão grande que serve apenas para fortalecer o preconceito.

Da mesma forma, ninguém ignora que muitas instituições espíritas veneráveis, embora de forma velada, acabaram aceitando a presença desses companheiros desencarnados, como os pais-velhos, pois sabem que a forma exterior não é nada, mas a essência é tudo.

Fico aqui pensando e rascunhando meus escritos: será que nossos companheiros de Doutrina Espírita acham que espírito atrasado só pode ser preto-velho. Será que brancos idosos, com olhos azuis e cabelos loiros, acaso não podem ser espíritos obsessores?

É necessário voltar para o que ensina Allan Kardec em O LIVRO DOS MÉDIUNS. Ele esclarece que o espírita, tanto o evocador quanto os médiuns, deve se ocupar mais com a análise do conteúdo da comunicação que com a forma ou o nome com que se manifesta o comunicante; observar o que o espírito diz, sua elevação moral.

Todavia, diante de tanto receio com relação a essa tremenda confusão religiosa, o que muitos estão fazendo é exatamente o oposto do recomendado pelo codificador. Esquecem-se do conteúdo — ou melhor, nem deixam o espírito comunicar-se direito, pois logo querem doutriná-lo.

Só porque o infeliz resolveu manifestar-se como um preto-velho! Também, que assim seja: por que, afinal de contas, ele não escolheu ser um branco-velho? Talvez assim pudesse fazer seu trabalho direito… pelo menos, entre muitos espíritas.

preconceito com a umbanda 2

Na obra, o espírito de Ângelo Inácio estava em uma tarefa de resgate espiritual quando foi apresentado a outros dois espíritos tarefeiros. Eram eles o Silva e o Wallace. O Wallace tinha sido um grande representante do Espiritismo em São Paulo quando encarnado na Terra, e Silva, um tarefeiro que havia trabalhado muito no esclarecimento da missão da Umbanda.

— Sim — retornou Silva. — Desde que desencarnei, dedico-me a aprofundar meus estudos nas questões espirituais. Além, e claro, de rever muitos de meus conceitos, que, ainda hoje, lá na velha Terra, como você diz, Ângelo, são objeto de estudo de muita gente. É óbvio que muita coisa que a gente defende, quando encarnado, têm de ser revistas do lado de cá da vida. Embora, considerada a época em que escrevi meus livros, tudo aquilo refletisse a mais pura verdade para nossos amigos umbandistas, devo hoje reconhecer que tenho muito a reaprender. Muitos conceitos e opiniões merecem ser avaliados deste lado da vida.”

Preconceito com a Umbanda ou Espiritismo? Quem está mais certo ou menos errado?

Silva, que muito dedicou seu tempo nas questões da Umbanda, agora na vida espiritual pretendia abranger ainda mais os horizontes do entendimento espiritual, buscando os conhecimentos sobre o Espiritismo

— Devo admitir, meus amigos, que no mundo espiritual as coisas são bem mais fáceis, no que concerne aos estudos. Também pude modificar bastante minha visão e minhas teorias a respeito do Espiritismo, de Allan Kardec e da mediunidade tal como é praticada nas lides espíritas.

Campanha idealizada por Sacerdote Maykon de Xangô

— Essa história conheço de perto — afirmou Ângelo Inácio. — Não é só o espírita que tem preconceito contra os umbandistas, não! Muitos companheiros da Umbanda acham que os espíritas são fracos ou orgulhosos. Na verdade, a questão aflige é o ser humano.

— Isso mesmo — argumentou Wallace. — O problema do preconceito está em todo lugar e em toda religião que pretende estabelecer dogmas. Ninguém está imune a isso, não! A dificuldade está no ser humano que se julga o melhor. O indivíduo avalia que sua parcela da verdade é maior, mais bonita ou, em casos mais graves, a única verdade. Assim como em qualquer âmbito da ação do homem, isso ocorre com espíritas, católicos, protestantes ou umbandistas, só para citar algumas denominações religiosas com a finalidade de esclarecer esses e outros aspectos é que estamos estudando.

Veja mais:

Por fim, o espírito Wallace nos presenteia com um dizer de tamanha sabedoria:

— (…) Precisamos lutar para abandonar hábitos assim e nos empenhar para o esclarecimento de todos. Afinal, quando a morte do corpo nos surpreende, não somos mais espíritas, muçulmanos, umbandistas ou budistas; somos apenas filhos de Deus. Nada mais.

Fonte: Aruanda (Robson Pinheiro, pelo espírito de Ângelo Inácio), Casa dos Espíritos Editora, 2004.

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