Visão espírita do sequestro ao ônibus no Rio de Janeiro

Visão espírita do sequestro ao ônibus no Rio de Janeiro

André Marouço, facilitador espírita, comenta a visão espírita sobre o caso do sequestro ao ônibus no Rio de Janeiro.

André Marouço foi entrevistado no canal do YouTube, TV Mundo Maior. Na entrevista, André comenta diversos pontos sobre o infeliz incidente no Rio de Janeiro, quando o jovem William Augusto da Silva decidiu sequestrar um ônibus, vindo a ser baleado e morto no desfecho do acontecido.

No dia 20 de agosto de 2019, às cinco e meia da manhã, um jovem de 20 anos sequestrou um ônibus no Estado do Rio de Janeiro que cruzava a ponte Rio Niterói, fazendo mais de 30 pessoas reféns. Após quatro horas de negociações, o sequestrador foi neutralizado com pelo menos cinco tiros de um atirador de elite.

Nesses casos, mais especificamente no seqüestro, existe algo na Doutrina Espírita que explique esse tipo de comportamento?

– André Marouço: “Nós vivemos tempos muito difíceis, especialmente o Estado do Rio de Janeiro e na cidade do Rio de Janeiro. E muito se fala acerca da relação de causa e efeito dentro da doutrina dos espíritos, quase sempre, atribuindo a um fenômeno de encarnações passadas, a pagar algo que se fez no passado; o que é um engano; uma bobagem”.

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OBS.: ATENÇÃO! André não diz que a lei de causa e efeito é uma bobagem, mas, sim, o fato de todo acontecimento ser atribuído a esta causa.

– André Marouço: “Neste caso em questão, o que nós vemos muito claramente é que este aumento de violência que se deu no Rio de Janeiro se deve muito em relação aos péssimos governantes que lá estiveram ao longo dos últimos anos. Não é à toa que, se não me engano, há o número de cinco os ex-governadores que, ou estão presos ou estão é é respondendo processos.

E a relação de causa efeito se dá onde? Ao que nos parece nós o nosso irmão estava tendo um surto psicótico. Será que se o Sistema Único de Saúde e que o sistema público de saúde do estado do Rio de Janeiro estivesse funcionando, mas esse recurso não chega porque ele é desviado.

Será ele não teria tido um bom atendimento psiquiátrico, medicamentoso… será que se os recursos não fossem desviados da maneira como tem sido em todo o Brasil, mas muito especialmente no Rio de Janeiro, não haveriam psicólogos nas escolas ou mesmo nos bairros para poder ver se aquelas pessoas estão em um processo de descaminho psíquico, ou seja, há sim uma relação de causa e efeito que pode vir da vida anterior deste nosso irmão que partiu de forma tão violenta para a espiritualidade, mas há, especialmente, uma relação de causa e efeito por estarmos sendo omissos incompetentes com a gestão da coisa pública”.

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Nesse assunto de causa e efeito, será que o Willian Augusto da Silva, que foi o sequestrador, ele, desencarnando, como fica a lei de causa efeito no plano espiritual?

– André Marouço: “Sem dúvida, ali, nós podemos contar com a influenciação espiritual obsessiva, uma desorientação completa. E em boa parte das psicoses a mediunidade está presente, ou seja, a pessoa é médium e não sabe que é médium, sofre a interferência de espíritos de baixa frequência, muitas vezes inimigos desta ou de outras vidas que entram nesse psiquismo e vão criando fantasias e que essas fantasias vão se tornando realidade.

Então, não raro, o psicótico se vê atacado por insetos, por animais, por pessoas, por espíritos e, muitas vezes, esta visão, ela ela não é só uma criação da mente, mas é uma realidade do campo espiritual para o campo material, e isso o deixa completamente desnorteado”.

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– André Marouço: “Nós vamos levar em consideração que Deus é soberanamente justo e bom e pai de todos nós (…), é pai dos 30 e poucos reféns e pai do William. Então, há os atenuantes e que atenuantes são estes?

Provavelmente, não estava gozando das suas faculdades mentais de forma ordenada; outro, o descaminho da coisa pública que não presta um bom atendimento a essas criaturas, que deveriam ter um bom atendimento psiquiátrico e psicológico. Neste caso, podemos dizer que estes homens e mulheres que saquearam os cofres públicos do estado do Rio de Janeiro, eles contribuíram com aquela bala; a bala que poderia não ser utilizada.

Não tenho dúvida nenhuma que estas pessoas que destroem a coisa pública, estas, eu diria que estarão em situação bastante calamitosa, no seu futuro, se não se arrependerem e não começarem desde já a trabalhar para fazer com que o Estado funcione”.

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Uma pessoa na situação do sequestrador, como ficaria a situação dele após o desencarne?

– André Marouço: “Quanto ao nosso irmão (William), tudo isso depende, mas certamente a situação dele não é das melhores. Deve chegar na espiritualidade com o mesmo mesmo distúrbio psíquico que ele experimentava aqui, talvez, até em maior proporção, uma vez que ele não está mais na carne, mas, sim, no mundo espiritual.

Então, ele verá aqueles espíritos que contribuíram para que ele chegasse até onde ele chegou. Devido a desorientação, boa parte das vezes, a criatura sequer sabe que desencarnou.

Felizmente todas as pessoas que estavam dentro do ônibus conseguiram sair ilesas. A espiritualidade contribuiu para esse desfecho?

A espiritualidade age com bastante antecedência porque ela tem acesso a informações que nós não temos. O William, nesse processo de adoecimento e de obsessão e de auto obsessão, ele foi arquitetando este plano de descaminho que acabou se dando, então os amigos da espiritualidade sabiam exatamente o instante que o William cometeria esta insanidade, e cuidaram para que, em primeiro lugar, estivesse passando por essa situação criaturas que têm ou bagagem espiritual ou necessidade de passar por um aprendizado como este”.

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– André Marouço: “Cuidaram pra que o próprio William tivesse o menor prejuízo possível, embora o prejuízo já foi gigantesco, mas poderia ter sido muito maior. Cuidaram do atirador que estava ali, desempenhando o seu papel, mas a polícia não sabia que a arma era de brinquedo a a coisa podia chegar a proporções inimagináveis; bem piores.

Então, a espiritualidade estava presente nisso tudo; assim como estava presente, também, no desenlace do William, cuidando do espírito que chega atormentado na espiritualidade, mas prestando o cuidado possível. Isso não significa que ele morre e imediatamente o espírito está liberto! Não!

Seu espírito está num um surto psicótico agravado pelos pelos projéteis, pelo aumento da culpa que provavelmente ele experimenta e, estando na espiritualidade, é ainda mais exposto ao campo obsessivo”.

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E quanto ao atirador? Será que, de acordo com a Doutrina Espírita, será que a posição dele também é vista com errada?

– André Marouço: “Não, de forma alguma! Aliás, Kardec trata disso no O Livro dos Espíritos. Ali estava o instinto de conservação, de conservar a vida de outrem. É que ele estava ali naquele instante representando o Estado. Este este profissional, ele pode ir para sua casa dormir com tranqüilidade, porque ele apenas e tão somente cumpriu com seu dever.

Agora, nós vamos fazer uma diferenciação bastante importante aqui: se a pessoa que está infringindo a lei é dominada e, em seguida, assassinada. Então isso é um assassinato. E o policial, a pessoa que fez isso tomou para si a justiça pelas próprias mãos, ele haverá de dar conta do mal que fez. Entretanto, enquanto quando o policial ou a pessoa, num instinto de conservação, para alguém que está é extremamente belicoso, ameaçador e agressivo, nesse instante, é legítima defesa.

Entretanto, o que é de se lamentar, e aí se lamentar bastante, é o governador do Estado do Rio de Janeiro, descendo do helicóptero e comemorando!

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O que estava comemorando? Trinta e sete pessoas haviam sofrido durante horas um terror psicológico e ele estava comemorando… a comemoração deveria se dar se o Estado do Rio estivesse indo muito bem com índices de violência a ser minimamente aceitáveis.

Ele não é mais um CPF quando ele está na posição de prefeito, governador, deputado, presidente. Ele é um Estado. e um representante do Estado.

Então, às vezes é preciso calar um pouco, ouvir mais, ser um pouco mais comedido, um pouco mais responsável com as palavras, com os atos, com um exemplo. Isto foi, realmente, de se lamentar”.

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Hugo Gimenez

Hugo Gimenez é o editor do blog O Estudante Espírita. Fisioterapeuta formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), começou suas primeiras leituras da Doutrina Espírita com 15 anos de idade. Hoje em dia, se interessa não só por literaturas próprias do Espiritismo, mas também por assuntos de espiritualidade em geral.
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