Os sonhos segundo o Espiritismo

Os sonhos segundo o Espiritismo

Os sonhos segundo o Espiritismo
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Os sonhos segundo o Espiritismo — O que acontece com nosso Espírito enquanto dormimos?

Quem precisa de descanso e dormir é o nosso corpo físico, assim pode recuperar as energias para as atividades do dia seguinte. Do contrário, o nosso corpo espiritual não necessita dormir.

O descanso físico permite que o corpo espiritual fique, de certa forma, mais desprendido do corpo físico, assim pode ir para onde lhe é mais conveniente, obedecendo a Lei da Afinidade, ou a vibração energética correspondente. Dessa forma, ficamos mais sensíveis ao que ocorre no plano espiritual.

O sono e sonhos no Espiritismo:

Vejamos a questão 401 de O Livro dos Espíritos: Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

“Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. ”

Os sonhos segundo o espiritismo podem desempenhar um papel importante em nossas vidas. De acordo com o Espiritismo, quando dormimos, podemos usar nosso espírito para conversar com outros espíritos. Estes podem ser outros encarnados que também estão dormindo, ou espíritos atualmente livres de um corpo físico.

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Segundo um artigo da Revista Espírita de 1958 (Allan Kardec):

“Quando dormimos, ficamos momentaneamente no estado em que, de maneira definitiva, nos encontraremos depois da morte. Os Espíritos que rapidamente se desprenderam da matéria por ocasião da morte, tiveram sono inteligente; esses, quando dormem, reencontram a sociedade de outros seres que lhes são superiores: viajam, conversam e com eles se instruem. Trabalham até em obras que, ao morrer, acham acabadas. Isto, mais uma vez, deve ensinar-nos que não devemos temer a morte, pois que morremos todos dias, conforme disse um santo.

(…) Por efeito do sono os Espíritos encarnados estão sempre em contato com o mundo dos Espíritos, o que permite que os Espíritos superiores, sem muita repulsa, consintam em vir encarnar-se em vosso meio. Deus quis que durante o seu contato com o vício eles pudessem vir retemperar-se na fonte do bem, a fim de não falirem, eles que vêm para instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para os amigos do Céu; é o recreio após o trabalho, a espera da grande libertação, a libertação final que deve reintegrá-los em seu verdadeiro meio” (Revista Espírita de 1958).

Os sonhos segundo o Espiritismo — As lembranças do além

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O sonho é a lembrança daquilo que o vosso Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que não sonhais sempre, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes ou de tudo quanto vistes.

Não é a vossa alma em todo o seu desdobramento; muitas vezes não é mais que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida ou a vossa chegada, a que se junta a lembrança daquilo que fizestes ou que vos preocupa no estado de vigília.

Sem isto, como explicar esses sonhos absurdos, tanto dos mais sábios como dos mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes” (Revista Espírita de 1958).

Os sonhos segundo o Espiritismo — A memória que não lembra tudo

O Livro dos Espíritos cita a relação dos sonhos, até mesmo os mais irracionais, e a nossa memória que fica fragmentada:

“Dizes freqüentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganas-te. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião.

Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro. “Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem.

Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos (O Livro dos Espíritos).

O sono e sonhos no Espiritismo — Cuidado com as interpretações frívolas

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Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da presente existência ou de existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter.

A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam” (O Livro dos Espíritos).

É importante falar que não podemos tirar conclusões precipitadas sobre aquilo que sonhamos. Muitos elementos presentes nos sonhos são uma mistura condensada da nossa própria carga mental, com aquilo que presenciamos no mundo espiritual. Sendo assim, os sonhos ganham uma carga metafórica e às vezes de difícil interpretação.

Muitas vezes, o mundo espiritual tenta nos ajudar através de nossos sonhos, recorrendo aos nossos espíritos enquanto estamos dormindo e nos dando informações e sentimentos sobre episódios pertinentes em nossa vida.

Os sonhos segundo o Espiritismo — Um relato de caso segundo André Luiz e Chico Xavier

No livro Entre a Terra e o Céu, ditado a Francisco C. Xavier, pelo espírito Andre Luiz, uma mulher, chamada Antonina, tem a oportunidade de ir visitar seu filho falecido (Marcos) no mundo espiritual. Ela acha que a criança está feliz com sua vida no “céu”.

Ela se sente maravilhosa sobre a experiência. Quando seu espírito é colocado de volta em seu corpo, o líder da equipe (Clarencio), com quem André e Hilário estão ajudando, diz:

— Nossa amiga não poderá guardar positivas recordações — informou Clarêncio com atenção.

— Mas, por quê? — indagou Hilário, admirado.

— Raros Espíritos estão habilitados a viver na Terra, com as visões da vida eterna. A penumbra interior é o clima que lhes é necessário. A exata lembrança para ela redundaria em saudade morta! Como isso é lamentável!

Clarêncio explica mais detalhadamente por que ela não poderá carregar na memória tais detalhes:

— O contato com o reino espiritual, enquanto nos demoramos no envoltório terrestre, não pode ser dilatado em toda a extensão, para que nossa alma não afrouxe o interesse de lutar dignamente até o fim do corpo. Antonina lembrar-se-á de nossa excursão, mas de modo vago, como quem traz no campo vivo da alma um belo quadro de esbatidos contornos. Recordar-se-á, porém, do filhinho mais vivamente, o bastante para sentir-se reconfortada e convicta de que Marcos a espera na Vida maior. Semelhante certeza ser-lhe-á doce alimento ao coração.

Como vimos no relato acima, podemos não lembrar dos nossos sonhos por medidas de segurança, reguladas pelos próprios espíritos que nos auxiliam durante a saída do nosso corpo, de acordo com a nosso estado evolutivo.

Dessa forma, sono e sonhos no Espiritismo estão intimamente ligados, porém os sonhos compreendem a parte mais densa de ser analisada. Os sonhos não são elementos para se fazer interpretações frívolas, pois podem nos induzir ao erro.

Veja mais:

Fonte: 

  • O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4ª ed. 1ª imp. Questão 401, 402
  • Revista Espírita de 1959. Dissertações de Além-Túmulo: O sono.
  • Entre a Terra e o Céu. Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

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