Tratamento de desobsessão espiritual na Umbanda: linha dos Caboclos

Tratamento de desobsessão espiritual na Umbanda: linha dos Caboclos

Tratamento de desobsessão espiritual na Umbanda: linha dos Caboclos
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Para tratarmos do assunto referente ao trabalho de desobsessão espiritual na Umbanda, usaremos a obra Aruanda, do médium espírita Robson Pinheiro para exemplificar o trabalho da linha dos caboclos na Umbanda e, especificamente, se referindo à sua função no tratamento de desobsessão espiritual.

O artigo não tem a intenção de restringir a falange de caboclos através dos trechos aqui transcritos, apontando somente sua função no trabalho de desobsessão. Apenas estamos nos limitando ao assunto, por fins de apresentarmos aos leitores algumas diferenças da atuação dos espíritos atuantes na Umbanda em relação à Doutrina Espírita.

Além disso, o método que detalharemos aqui é apenas um deles, sendo assim, não é um processo universal, pois dentro da própria Umbanda podemos encontrar variações do processo.

O trabalho de desobsessão na Umbanda e no Espiritismo: qual o melhor?

tratamento de desobsessão espiritual 2

“— (…) não existe uma forma melhor que a outra. Nem o método espírita é o melhor, nem a metodologia umbandista é mais forte e eficaz.

Tudo depende das características de cada caso, de qual tipo de entidade está envolvido no processo e, enfim, do tipo psicológico e das necessidades espirituais de cada uma delas.

Em uma tenda umbandista cujos médiuns se dedicam à caridade, ao estudo sério e elevado, teremos excelente material psíquico para certos trabalhos de desobsessão ou terapia espiritual.

Em um centro espírita cujos médiuns não se preparam convenientemente, não se dedicam ao estudo e têm as ideias comprometidas com uma visão estreita e acanhada da vida espiritual, naturalmente careceremos de material psíquico de qualidade para as terapia espirituais.

Dessa forma, é preciso compreender que a eficácia do método depende de diversas coisas, mas principalmente do preparo dos operadores ou da equipe mediúnica, e não da confissão religiosa, como muitos pensam.” (Espírito Pai João).

O espírito de Ângelo Inácio acompanhava o culto umbandista. A sessão de desobsessão estava prestes a iniciar.

O trabalho de desobsessão na Umbanda

desobsessão na umbanda 2

Um a um os médiuns do terreiro incorporaram seus mentores, que se apresentavam na forma fluídica de caboclos. Era a gira dos caboclos da Umbanda, que cumprimentavam o público presente.

As cantigas se sucediam de acordo com as necessidades do culto; mais além, as entidades conduzidas pelos guardiões, furiosas, aguardavam pelo desfecho. Tais espíritos maldosos não percebiam nossa presença, nem mesmo a dos caboclos, que envolviam seus médiuns; estavam por demais materializados para alcançarem uma percepção mais clara do que ocorria.

As pessoas presentes se dirigiam aos médiuns incorporados, que aplicavam passes e dispersavam energias densas acumuladas nas auras dos consulentes. Até ali, não ocorrera nada excepcional, digno de nota, considerando o pouco que eu presenciara nesses cultos.

Quando terminou o atendimento às pessoas, os caboclos começaram a cantar o chamado ponto de puxada — esse era o termo que utilizavam para se referir ao tratamento desobsessivo conforme os moldes umbandistas. Os médiuns incorporados deram-se as mãos, formando uma corrente magnética de fluidos ectoplásmicos.

Algo novo para mim começou a ocorrer diante da minha visão espiritual. Via uma imensa quantidade de fluido vital sendo extraída dos médiuns do terreiro, formando um cinturão em torno deles. Nunca tinha presenciado nada assim.

À medida que os caboclos cantavam seus pontos, o ectoplasma expelido pelos médiuns tomava forma no ambiente espiritual, de tal modo que se criaram telas fluídicas acima da plateia, que também participava ativamente do processo, auxiliando através das cantigas.

Quando mirei as pessoas na assistência, notei mais de 20 espíritos, com roupagem fluídica de caboclos, que aplicavam passes nos presentes, retirando energias preciosas para os trabalhos da noite. Os fluidos reunidos se aglutinavam no alto do salão e então eram canalizados para o centro da roda de caboclos, somando-se ao ectoplasma dos médiuns.

Os caboclos auxiliando no tratamento de desobsessão espiritual na Umbanda

trabalho de desobsessão na umbanda 2

Do nosso lado, os caboclos faziam uma limpeza energética nos perispíritos das entidades obsessoras, como se fosse uma operação material. Passavam as mãos nos corpos espirituais deles, enquanto outros caboclos traziam duplicatas astrais de certas ervas, que eram aplicadas em torno das entidades em tratamento.

De repente, um dos chamados guias encaminhou um dos três espíritos aprisionados para perto de um médium, que, imediatamente, deu passividade, incorporando a entidade violenta. O médium, entregando-se completamente à ação do desencarnado, debatia-se furiosamente.

A corrente magnética, no entanto, estava formada por caboclos-índios que seguravam o ponto, no dizer dos irmãos umbandistas, e dava segurança ao trabalho. Fiquei boquiaberto com o método. Era algo totalmente diferente da metodologia espírita (de desobsessão espiritual).

Nesse ponto das minhas observações Vovó Catarina tornou a palavra:

— O método é incomum para você, Ângelo, mas posso afiançar-lhe que é eficaz, no caso de entidades deste tipo, que em sua natureza se parecem com furacões violentos. Após o atendimento nos moldes que você presencia, estes infelizes serão conduzidos a uma casa espírita, para posterior conversa e encaminhamento.

— Aqui, encarregamo-nos do trabalho mais grosseiro, da retirada de fluidos densos; contudo, essa fase é apenas uma etapa de todo o processo de tratamento ao qual serão submetidas tais entidades. Não veja nisso algo definitivo; os espíritos atendidos precisam se reeducar moralmente e, para tanto, serão encaminhados para a conversa fraterna, numa reunião de desobsessão.

— Há que se notar, porém, que, caso estes espíritos fossem conduzidos, exatamente como estavam, a uma mesa espírita, talvez os médiuns não atingissem os resultados esperados. Ou, ainda, tais companheiros poderiam transmitir aos médiuns espíritas todo o mórbido fluido de que são portadores, o que lhes seria prejudicial. Dessa maneira, foram trazidos até aqui, nesta tenda umbandista, e assim cada um cumpre seu papel, de igual importância.

Explicando a função da linha dos caboclos na Umbanda em relação à sessão de desobsessão

linha dos caboclos na umbanda 2

Para explicar mecanicamente como os caboclos atuam no trabalho de desobsessão espiritual na Umbanda, Pai João acrescentou mais alguns detalhes:

— Os caboclos são exímios manipuladores de energias da natureza, de ectoplasma e bioplasma, com o método que lhes é próprio, trabalham para auxiliar, como sabem, na recuperação de almas rebeldes e renitentes no mal. Espíritos violentos e grosseiros, de comportamento profundamente desequilibrado ou dementes espiritualmente, são muitas vezes conduzidos para as puxadas numa casa umbandista, onde são realizados os primeiros atendimentos. Depois, você poderá vê-los incorporados numa reunião espírita, recebendo o amparo e o esclarecimento, de acordo com sua necessidade e capacidade de assimilação.

— (…) Na Umbanda, os processos obsessivos mais violentos são muitas vezes solucionados com a força guerreira dos caboclos. Devido ao seu forte energismo, ao seu caráter inabalável e às suas experiências de guerra quando encarnados, que desenvolveram neles disciplina férrea, conquistada com mérito, são entidades temidas e respeitadas pelas falanges de espíritos conturbados e pelos marginais do astral inferior.

— Quando incorporados em seus médiuns, trazem todo o trejeito de guerreiros, a força e firmeza do jovem e o respeito das experiências adquiridas em anos e anos de lutas ao longo das encarnações. Em essência, esse é o método umbandista, embora haja muitas variações dentro da própria Umbanda.

Veja mais sobre o tema:

Para assistir ao vídeo com mais instruções sobre a desobsessão na Umbanda, clique nesse link.

Saiba mais sobre o mundo espiritual e como funciona adquirindo o livro Aruanda, pelo médium Robson Pinheiro. Você descobrirá porque as figuras do negro e do indígena – pretos-velhos e caboclos –, tão presentes na história brasileira, incitam controvérsia no meio espírita e espiritualista. Aprenda também sobre elementos da espiritualidade que até hoje são muito pouco abordados no Espiritismo.

Aruanda robson pinheiro 2
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Fonte: trechos da obra Aruanda. Robson Pinheiro, ditado pelo espírito de Ângelo Inácio. Casa dos Espíritos Editora, 2004.

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