O Vasco da Gama entra em campo nesta quinta-feira para a sua estreia no Brasileirão 2026, mas o clima nos bastidores passa longe da tranquilidade de um início de campeonato. A equipe carioca enfrenta o Mirassol às 20h (horário de Brasília), no estádio José Maria de Campos Maia, no interior paulista. Até pouco tempo, as prévias indicavam que Philippe Coutinho seria um dos titulares na partida. A realidade dos últimos dias, no entanto, atropelou o planejamento tático. O meia de 33 anos acaba de rescindir seu contrato e não veste mais a camisa cruzmaltina, transformando o jogo que seria de estreia em um momento de pura reconstrução.
O estopim contra o Volta Redonda
A decisão de deixar o clube que o revelou, pela segunda vez na carreira, veio acompanhada de um forte desabafo. O ponto de ruptura aconteceu no último fim de semana, durante a vitória por 2 a 1 sobre o Volta Redonda. Coutinho foi vaiado por parte da torcida, acabou substituído ainda no intervalo e, segundo informações da ESPN, sequer voltou para o banco de reservas para acompanhar o restante do confronto. Foi a gota d’água para o jogador, que optou por encerrar seu vínculo de forma abrupta logo antes da primeira rodada do campeonato nacional.
Um desabafo sobre saúde mental
Em um texto carregado de emoção publicado no Instagram, o meia abriu o jogo sobre os motivos que o levaram a tomar essa atitude. Ele confessou estar no limite emocional. “Pensei muito antes de escrever isso. Muito mesmo. Mas, pelo respeito, carinho e amor que tenho por vocês e por este clube, senti que precisava vir aqui e falar de coração”, explicou. Coutinho ressaltou que sua volta ao Vasco foi movida por paixão e que vestir a camisa do time sempre foi uma das escolhas mais importantes da sua vida. O atleta garantiu que nunca faltou entrega ou comprometimento de sua parte nos treinos e jogos.
O tom do texto ficou ainda mais pesado ao abordar o episódio do fim de semana. Ser julgado por algo que, segundo ele, não faz parte do seu caráter, foi um golpe duro. Ele deixou claro que jamais desrespeitaria a torcida ou os companheiros de equipe, algo que quem o conhece sabe muito bem. “Naquele momento, a caminho do vestiário, eu senti e percebi que meu ciclo no clube havia chegado ao fim. Não voltei para priorizar a minha saúde mental. Isso dói muito”, revelou o craque. Assumindo uma postura vulnerável, algo raro para alguém que sempre se considerou muito reservado, ele admitiu estar mentalmente exausto. No fim da carta, agradeceu por tudo e cravou que levará o Vasco para sempre em sua história e em sua vida.
Números da segunda passagem e a nova escalação
O ídolo havia retornado a São Januário em julho de 2024, inicialmente emprestado pelo Aston Villa, antes de ser contratado em definitivo um ano depois. Durante essa segunda passagem, ele disputou 81 partidas por todas as competições, anotando 17 gols e distribuindo sete assistências.
Sem o seu principal armador, o técnico vascaíno precisa reorganizar a casa às pressas para o duelo desta quinta-feira. O Vasco deve ir a campo com Léo Jardim no gol; uma linha defensiva formada por Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton; o meio-campo agora reconfigurado com Cauan Barros e Thiago Mendes; e um ataque composto por Andrés Gómez, Nuno Moreira e GB. Do outro lado, o Mirassol não tem nada a ver com a crise adversária e deve mandar a campo a seguinte formação: Walter; Daniel Borges, João Victor, William Machado e Reinaldo; Neto Moura, José Aldo e Shaylon; com Galeano, Alesson e André Luís no comando de ataque.
Uma carreira de altos e baixos
A saída melancólica de São Januário contrasta fortemente com a trajetória de um dos talentos mais brilhantes de sua geração. Depois de surgir como uma grande promessa na base vascaína, Coutinho se transferiu para a Inter de Milão em 2010. Na Itália, jogou 47 vezes e conquistou a Supercopa da Itália ao longo de duas temporadas e meia, até arrumar as malas para a Inglaterra no início de 2013.
Foi no Liverpool que ele viveu seu auge absoluto. Em 201 partidas em Anfield, o meia marcou 54 gols e deu 44 assistências, tornando-se o grande nome da equipe e sendo eleito o Jogador da Temporada tanto pelos torcedores quanto pelos colegas de elenco nas campanhas de 2014/15 e 2015/16. Esse sucesso estrondoso chamou a atenção do Barcelona. Após um pedido formal de transferência em agosto de 2017 e uma longa novela nos bastidores, ele finalmente foi para a Espanha meses depois. A negociação girou em torno de 142 milhões de libras, valor que a tornava a terceira transferência mais cara da história do futebol na época. No Camp Nou, embora tenha levantado duas taças de LaLiga, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha, o brasileiro nunca conseguiu repetir o nível de atuações que encantou o mundo na Inglaterra, marcando o início de uma fase de muita oscilação que culmina, agora, nesta despedida precoce do futebol brasileiro.