O Dia Nacional da Inovação chega a 19 de outubro de 2026 com dois movimentos que ajudam a medir o alcance da agenda no Brasil. De um lado, uma mobilização reúne cidades, universidades, empresas, governos e organizações da sociedade civil para tornar mais visíveis iniciativas já em andamento. De outro, um novo aporte público de R$ 450 milhões amplia o financiamento de projetos empresariais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A data foi instituída pela Lei nº 12.193/2010 para incentivar ações ligadas à inovação, à ciência e à tecnologia e reforçar sua importância para o desenvolvimento econômico e social. Neste ciclo, a World Creativity Organization incorporou a celebração ao calendário de mobilização que mantém desde 2018. A programação começou com uma curadoria nacional em agosto e culmina neste domingo, conectando diferentes ecossistemas e territórios.
O financiamento anunciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e pela Finep transforma parte dessa agenda em projetos concretos. A chamada Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica tinha orçamento inicial de R$ 300 milhões e selecionou 78 propostas. Uma suplementação de R$ 150 milhões permitirá atender outras 36 já avaliadas e recomendadas, elevando o total para 114 iniciativas apoiadas.
A demanda foi bem maior que o número de projetos contemplados. Lançado em fevereiro, o edital recebeu 587 propostas; 400 chegaram à etapa de avaliação técnica, realizada pela Finep em parceria com analistas do Sebrae, Sudeco, Sudene e Sudam. Entre as 78 propostas aprovadas inicialmente, 75% vieram de micro e pequenas empresas. Quarenta e quatro negócios receberão uma subvenção da Finep pela primeira vez.
Os recursos também procuram reduzir a concentração territorial do investimento em tecnologia. Empresas de 35 cidades serão beneficiadas, e sete municípios participam pela primeira vez de uma chamada da agência: Inhumas, Santa Bárbara do Pará, Salgueiro, Campo Novo do Parecis, Luís Eduardo Magalhães, Goiana e Agrestina. Do orçamento inicial, R$ 150 milhões foram destinados ao Nordeste, R$ 100 milhões ao Centro-Oeste e R$ 50 milhões ao Norte. Cada proposta podia solicitar de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, com valor médio aprovado de R$ 3,8 milhões.
Todos os projetos se enquadram em pelo menos uma missão da Nova Indústria Brasil. A expectativa da Finep é que 15% do valor da chamada sejam comprometidos em parcerias com 36 instituições de ciência e tecnologia. Essa conexão é central porque aproxima pesquisa, capacidade produtiva e necessidades locais, transformando conhecimento em produtos, processos e serviços que podem gerar impacto regional.
A celebração de 19 de outubro e o novo financiamento apontam para a mesma conclusão: inovação não se limita a laboratórios ou grandes empresas. Ela depende de redes que incluem estudantes, pesquisadores, pequenos negócios, gestores públicos e comunidades. Dar visibilidade a essas redes ajuda a compartilhar experiências; oferecer recursos permite que ideias de maior risco tecnológico avancem para a execução. O desafio seguinte será acompanhar os resultados e ampliar a capacidade de inovar para além dos centros tradicionais.